(ANS – Freetown) – Hoje, o P. Luca Barone segue seu relato sobre sua primeira viagem missionária como Presidente de Missões Dom Bosco – Procuradoria Missionária salesiana – de Turim. Após a etapa na Libéria, sua expedição, no mês passado, levou-o à Serra Leoa, um dos países africanos com maior densidade populacional e entre os mais elevados índices de mortalidade infantil do mundo. Na capital, Freetown, marcada por um caos permanente, impressiona o número de crianças e adolescentes que vivem nas ruas, submetidos à exploração, à prostituição e a diversas formas de violência e extorsão.
“Quatro comunidades salesianas atuam em contextos de verdadeira fronteira para permitir que esses jovens experimentem a passagem da ‘chantagem’ ao ‘resgate’: acolhida, trabalho de rua e no cárcere, nas escolas, paróquias, oratórios e centros juvenis… Aqui, Dom Bosco é sinônimo de jovens salvos”, testemunha.
“Os dias passam rapidamente, e trabalhamos intensamente neste período de encontros – afirma o P. Barone – . Vemos, tocamos e sentimos aquilo que os benfeitores, com sua generosidade, tornam possível aos missionários salesianos realizar. Tenho clareza de que os recursos destinados às missões têm nomes, rostos, histórias: significam cuidados médicos, educação, acompanhamento, nascimentos bem-sucedidos de jovens que engravidaram após violências e abusos, sonhos de meninos de rua que desejam vencer na vida”.
Ao término da viagem, permanecem na mente e no coração do Presidente de ‘Missões Dom Bosco’ “três histórias que me transformaram”.
“A primeira tem um nome: Idrissa, 17 anos, dos quais três vividos na rua. Depois, o encontro com Dom Bosco, sua salvação e o acolhimento numa casa com pessoas que cuidam dele. Está aprendendo mecânica automotiva, sonha tornar-se engenheiro mecânico e joga futebol com o entusiasmo de quem redescobriu a vida. Mas o que mais me marcou não foi isso, e sim a maneira como ele acompanha atentamente cada gesto e cada palavra de P. Piotr Wojnarowski, missionário que hoje é Diretor do grande e valioso Centro Dom Bosco Fambul, em Freetown. Ele é seu herói, aquele que o acolheu e salvou, tornando-se referência para o seu crescimento; é a figura paterna a quem observa e de quem aprende.”
“Quando crescer, quero ser uma pessoa como ele”, diz o jovem.
Segunda imagem: a estátua recomposta da Sagrada Família, hoje em destaque no Centro Terapêutico de Fambul. Chegou em outubro de 2025, trazida por voluntários poloneses e aguardada com grande expectativa; no entanto, ao ser desembalada, constatou-se que havia sido danificada durante o transporte. “Foi um momento de tristeza geral, mas então um dos jovens do Centro teve uma intuição – recorda P. Barone – : ‘Esta estátua é como a nossa família, como a nossa história: está em pedaços, mas podemos reconstruí-la!’”.
O desafio foi imediatamente aceito: voluntários e jovens decidiram unir os fragmentos e recompor a imagem. O trabalho foi longo e exigente, mas o resultado tornou-se um verdadeiro símbolo: uma obra que não oculta as feridas nem as ausências, agora colocada sob a gruta diante da qual, todas as noites, os jovens se reúnem antes de dormir para confiar a própria história, a própria vida e também as mãos generosas de quem lhes permitem reconstruí-la.
A terceira imagem remete à última Missa celebrada antes da partida, na cidade de Lungi. Durante a Celebração, sob o calor intenso, o P. Barone percebeu que a estola que vestia parecia “colar-se à pele. Compreendi que o Senhor me recordava, justamente na África, que o meu sacerdócio é exatamente isto: deixar que as pessoas e suas realidades se ‘colem’ em mim e apresentá-las ao Seu altar, para que a sua história de salvação se torne também a delas, inclusive por meio de mim”.
Assim, ao concluir sua viagem, o Presidente da Procuradoria Missionária Salesiana de Turim sintetiza: “No fim, a viagem faz você voltar, mas você já não é o mesmo. Ela ensina a não se acomodar, porque aquilo que você deve e pode transformar, melhorar e decidir — em si mesmo e no mundo — é infinitamente maior do que imagina. E o bem que existe e que você pode fazer não faz barulho, mas sustenta o mundo. E cada vida salva é uma vitória do bem sobre o mal”.
Mais informações: www.missionidonbosco.org



