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19 Abril 2026
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Angola – O Santo Padre Leão exorta a nação a seguir Maria “para ser, como Ela, promotora de justiça e portadora de paz”

(ANS – Luanda) – “Venho à África principalmente como pastor, como chefe da Igreja Católica, para estar com, para celebrar com, para encorajar e acompanhar todos os católicos africanos”. Com essas palavras claras, o Papa Leão XIV reiterou o sentido de sua longa viagem ao continente africano, durante o voo que, no sábado, 18 de abril de 2026, o levou dos…

(ANS – Luanda) – “Venho à África principalmente como pastor, como chefe da Igreja Católica, para estar com, para celebrar com, para encorajar e acompanhar todos os católicos africanos”. Com essas palavras claras, o Papa Leão XIV reiterou o sentido de sua longa viagem ao continente africano, durante o voo que, no sábado, 18 de abril de 2026, o levou dos Camarões a Angola.

Após celebrar duas Santas Missas lotadas de fiéis na fase final de sua visita aos Camarões – a de sexta-feira, no estádio Japona em Douala, para 120 mil pessoas; e a de despedida, no sábado, no aeroporto militar de Iaundé, para aproximadamente 200 mil, nas quais encorajou a população camaronense a permanecer firme em Cristo para se tornar “sal e luz deste mundo” – , o Papa Leão chegou a Angola – terceira etapa de sua peregrinação apostólica.

Diversos os compromissos que marcam esta fase do itinerário africano do Pontífice, sob o lema “Papa Leão XIV, peregrino de esperança, reconciliação e paz, abençoa Angola”.

A agenda começou na tarde de sábado com uma visita de cortesia ao Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço. Em seguida, no Pavilhão Protocolar, houve uma reunião com aproximadamente 400 autoridades políticas e religiosas, empresários e representantes da sociedade civil e da cultura.

Na ocasião, o Pontífice recordou, antes de tudo, as vítimas das recentes inundações em Benguela, que provocaram cerca de trinta mortes e mais de 34 mil deslocados. Em seguida, chamou a atenção para as “cicatrizes” deixadas pela exploração do país, fruto de “interesses predatórios e prepotentes”: “É necessário romper essa cadeia de interesses que reduz a realidade e a própria vida a mercadoria de troca (…) Quanta dor, quantas mortes, quantas catástrofes sociais e ambientais traz consigo essa lógica extrativista”.

O Papa encorajou os líderes locais a criarem um país renovado, que “pode se expandir consideravelmente” se confiarem na “variedade de sua riqueza”. “Não tenham medo do dissenso, não apaguem as visões dos jovens nem os sonhos dos idosos; saibam gerir os conflitos, transformando-os em caminhos de renovação. Colocai o bem comum acima dos interesses particulares, sem jamais confundir a parte com o todo. A história vos dará razão, ainda que, no imediato, encontreis oposição”.

No domingo, 19 de abril, dois momentos marcaram a agenda: a Missa do III Domingo da Páscoa, em Kilamba, e, à tarde, a oração do Rosário na esplanada diante do Santuário mariano de Mamã Muxima.

Durante a Missa, perante aproximadamente 100.000 Fiéis, o Bispo de Roma comparou a trajetória da nação à dos dois discípulos de Emaús. Ele destacou que, diante dos desafios, é possível perder a esperança e permanecer “paralisados pelo desânimo”. Tanto para os angolanos quanto para os discípulos de Emaús, a resposta não vem de táticas humanas, mas é um presente que vem do Alto: “O Senhor aproxima-se dos dois discípulos desiludidos e sem esperança e, tornando-se seu companheiro de viagem, ajuda-os a recompor a história, a olhar para além da dor (…) Eis também para nós, para vós, queridos irmãos e irmãs angolanos, o caminho para recomeçar: de um lado, a certeza de que o Senhor nos acompanha e tem compaixão de nós; e de outro, o empenho que Ele nos pede”.

Ao mesmo tempo, e por fidelidade ao Evangelho, o Santo Padre dirigiu um apelo à realidade local, recomendando que não se misturem à fé “elementos mágicos e supersticiosos que não ajudam no caminho espiritual”; e invocou, para um país marcado por uma longa guerra civil, uma Igreja que acompanhe o povo e acolha “o clamor de seus filhos”.

À tarde, diante do entusiasmo e da devoção de 30 mil pessoas, no Santuário de Mamã Muxima — antigo local de culto cujas origens remontam ao século XVII, erguido onde os colonizadores portugueses concentravam mercadorias e pessoas escravizadas destinadas ao Brasil — o Papa presidiu a oração do Rosário, com os mistérios introduzidos por um jovem, uma criança, uma família, uma religiosa e um seminarista.

Ao final da oração, o Papa Leão XIV dirigiu-se aos fiéis em língua portuguesa, convidando-os a empenhar-se por “amar cada pessoa com coração materno, de modo concreto e generoso” e a dedicar-se “especialmente aos mais pobres”.

“O amor deve prevalecer, não a guerra! É isso que nos ensina o coração de Maria, o coração da Mãe de todos”, afirmou, dirigindo também um apelo especial aos jovens, para que se empenhem pela construção de um mundo melhor, livre de injustiças.

Por fim, deixou a todos o exemplo de Maria: “Nossa Senhora nos pede que nos deixemos envolver pelos sentimentos do seu coração, para sermos, como Ela, promotores de justiça e portadores de paz”.

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