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08 Junho 2026
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Espanha – As palavras inspiradoras do Papa Leão XIV a todos: políticos, bispos, vítimas de abusos, devotos marianos e comunidade católica de Madri

(ANS - Madri) - O terceiro dia da visita apostólica do Papa Leão XIV à Espanha foi marcado por uma agenda de alto nível institucional, com destaque para o encontro com o Presidente do Governo e o discurso dirigido aos Parlamentares pela manhã, seguidos, à tarde, da reunião com os Bispos espanhóis. Ao mesmo tempo, a programação incluiu momentos de…

(ANS – Madri) – O terceiro dia da visita apostólica do Papa Leão XIV à Espanha foi marcado por uma agenda de alto nível institucional, com destaque para o encontro com o Presidente do Governo e o discurso dirigido aos Parlamentares pela manhã, seguidos, à tarde, da reunião com os Bispos espanhóis. Ao mesmo tempo, a programação incluiu momentos de forte densidade pastoral e espiritual, como o encontro particular com vítimas de abusos, a visita de oração à Virgem da Almudena e o encontro com a comunidade diocesana de Madri.

A agenda de segunda-feira, 8 de junho de 2026, começou com uma audiência de cerca de vinte minutos entre o Pontífice e o Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez Pérez-Castejón, recebido no Vaticano poucos dias antes da viagem. Embora os temas tratados tenham permanecido reservados, recorda-se que, no encontro anterior, em 27 de maio, haviam sido abordadas questões de interesse comum, como a promoção do diálogo entre Igreja e Autoridades civis, o fortalecimento do tecido social e temas internacionais, incluindo os atuais conflitos, migrações, multilateralismo, a urgência da paz.

Em seguida, o Santo Padre dirigiu-se ao Congresso dos Deputados, centro da vida institucional do país, para um encontro com os membros do Parlamento espanhol. Diante de cerca de 500 parlamentares e senadores, Leão XIV — I Sucessor de Pedro a discursar no local — fez um discurso centrado na dignidade humana como critério fundamental da ação política.

Ao longo de sua fala, abordou diversos temas: a paz, entendida não apenas como “aspiração política”, mas como “uma verdadeira exigência moral”; a segurança, fundada na justiça, no diálogo e no respeito ao direito internacional; e a família, apresentada como “fundamento natural da comunidade” e “escola de humanidade”. Também alertou para os riscos da “cultura do descarte”, que atinge especialmente os mais vulneráveis (nascituros, idosos, migrantes…).

“Cada vida humana deve ser reconhecida e protegida desde a concepção até o seu fim natural, em todas as circunstâncias”, afirmou o Papa, advertindo que, “quando essa certeza se ofusca, os mais vulneráveis são as primeiras vítimas e a lei perde seu significado mais profundo: servir e proteger todas as Pessoas”.

Ao tratar da questão migratória, o Pontífice defendeu uma abordagem abrangente, capaz de “oferecer vias seguras e legais, acolhida digna e reais oportunidades de integração”, ao mesmo tempo em que se promova “o direito de permanecer na própria terra, combatendo as causas que forçam a migração, como os conflitos, as desigualdades, as crises climáticas”.

Ao contemplar as obras que adornam o plenário, algumas inspiradas no Evangelho, reafirmou princípios fundamentais: “os pobres pertencem plenamente à comunidade”, “o estrangeiro deve ser acolhido com dignidade” e “a vida humana jamais deve ser tratada qual mercadoria”.

Na parte da tarde, ao encontrar-se com os Bispos da Conferência Episcopal Espanhola, Leão XIV incentivou a continuidade do caminho sinodal, sublinhando a importância de um “processo de escuta profunda” que permita “reconhecer a voz de Deus na comunidade eclesial, equilibrando a liberdade com a coragem”.

O Papa também exortou os Bispos a promoverem a comunhão, a curarem feridas e a acompanharem o Povo de Deus, com especial “atenção aos que atravessam momentos de sofrimento e àqueles que foram feridos, inclusive por membros do próprio clero”.

Antes de encerrar seu discurso, o Pontífice apontou – em “São João de Ávila, Patrono do Clero espanhol”, cujo quinto centenário da ordenação presbiteral se comemora este ano – , aquela “vida sacerdotal que todo Bispo é chamado a zelar e a fazer crescer em seu presbitério”.

E, justamente para dar concretude às suas palavras de atenção a todos e, em especial, aos mais feridos, na Nunciatura Apostólica em Madri, que o acolheu nestes primeiros dias da viagem apostólica, o Santo Padre teve um diálogo particular de cerca de uma hora, marcado pela escuta e pela proximidade, com seis pessoas que sofreram abusos por parte do clero, as quais apresentaram algumas propostas “para tornar mais eficaz a resposta da Igreja a casos tão dramáticos”.

Na penúltima etapa desse dia marcado por uma agenda intensa, ao rezar diante da Virgem da Almudena, na Catedral de Santa María la Real, de la Almudena, Leão XIV relembrou o “colapso milagroso” da cavidade onde a imagem de Maria havia sido escondida para preservá-la durante a dominação árabe — episódio que permitiu que voltasse a ser venerada por seu povo — e o interpretou como uma metáfora ainda atual: o mundo não deve limitar-se a sustentar ou ignorar barreiras, mas estar disposto a abrir espaços, restabelecer possibilidades, “vislumbrar o horizonte”.

Por fim, durante o encontro com a Comunidade Diocesana de Madri, realizado no estádio Santiago Bernabéu, o Papa conversou com os Fiéis, questionando se o testemunho cristão alcança verdadeiramente o coração da Cidade. Nesse contexto, convidou todos a redescobrir “a arte espiritual da atenção”, lembrando que a Fé pode ser redescoberta — ou mesmo encontrada pela primeira vez — em qualquer etapa da vida.

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