(ANS – Madri) – Mais de 2,2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável – um recurso essencial à saúde, à educação e ao desenvolvimento. Por ocasião do Dia Mundial da Água, celebrado no domingo, 22 de março, a organização ‘Misiones Salesianas’ – Procuradoria Missionária Salesiana, de Madri, recorda a urgência de garantir esse direito humano fundamental.
Em diversas partes do mundo, os Salesianos promovem projetos em vários países para facilitar o acesso à água limpa e segura em comunidades em situação de vulnerabilidade, contribuindo para a melhoria das condições de vida de milhares de Pessoas.
Desde 1993, o Dia Mundial da Água é comemorado anualmente em 22 de março pelas Nações Unidas, com a finalidade de enfatizar a relevância deste recurso vital e chamar a atenção para a situação de milhões de indivíduos que ainda não possuem acesso à água potável. O lema deste ano — “Onde a água flui, cresce a igualdade” — evidencia que a crise hídrica global afeta a todos, ainda que de forma desigual. Nas regiões onde o acesso à água potável e ao saneamento básico é limitado, as desigualdades se agravam, atingindo de modo mais intenso mulheres e meninas.
Atualmente, mais de 2,2 bilhões de pessoas não dispõem de água potável segura, enquanto cerca de metade da população mundial enfrenta escassez hídrica ao menos durante parte do ano. Além disso, aproximadamente mil crianças com menos de cinco anos morrem diariamente em decorrência de doenças relacionadas ao consumo de água contaminada — uma tragédia evitável com infraestrutura adequada e melhor gestão dos recursos hídricos.
Embora a água cubra cerca de 70% da superfície do planeta, apenas uma pequena parcela é adequada para o consumo humano. Fatores como poluição, mudanças climáticas, crescimento populacional e conflitos armados agravam um cenário já crítico em muitas regiões. As consequências dessa escassez recaem sobretudo sobre as crianças. Em diversos países da África, da Ásia e da América Latina, meninos e meninas percorrem diariamente longas distâncias para buscar água — tempo que compromete a frequência escolar e os estudos.
Meninas e mulheres precisam percorrer longas distâncias em busca de água
Amina e Safiya, duas meninas togolesas de 11 e 12 anos, conhecem bem essa realidade. Todos os dias, percorrem longas distâncias para encher recipientes de até 20 litros e levá-los para casa — uma tarefa que impacta diretamente sua instrução, educação, perspectivas de futuro. A falta de água potável não provoca apenas doenças: afeta também a segurança alimentar, a economia familiar, a estabilidade das comunidades.
“Quando não chove, os animais morrem, as colheitas se perdem e as famílias ficam sem recursos. A situação torna-se crítica, especialmente para os recém-nascidos”, relatam os Salesianos do Chade, onde as secas cada vez mais frequentes obrigam muitas pessoas a se deslocarem em busca de água.
As alterações climáticas, a desertificação e a poluição dos recursos hídricos agravam as secas em várias áreas do mundo. Se não forem tomadas medidas eficazes, prevê-se que, nas próximas décadas, dois terços da população global viverão em países onde a água será escassa.
«Misiones Salesianas» trabalha há anos nesse contexto para facilitar o acesso à água potável em comunidades em situação de vulnerabilidade. Em 16 países de quatro continentes, a Procuradoria Missionária criou mais de 25 projetos ligados à água nos últimos anos, com um investimento de cerca de meio milhão de euros, beneficiando mais de 300 mil pessoas.
As iniciativas incluem a perfuração de poços, a instalação de sistemas de distribuição, o tratamento da água e a construção de estruturas de saneamento, contribuindo significativamente para a melhoria das condições de saúde e higiene de milhares de famílias.
Projetos hídricos que transformam vidas e favorecem o acesso à educação
No Togo, por exemplo, os Salesianos promovem projetos de perfuração de poços em três comunidades rurais. No vilarejo de Kadjada, com mais de 1.300 habitantes, a população dependia de águas estagnadas ou de pequenas barragens que secavam nos períodos de estiagem. A instalação de um poço com sistema hidráulico passou a garantir acesso à água potável e a reduzir doenças associadas ao consumo de água contaminada.
Situação semelhante ocorre no vilarejo de Sombone, comunidade rural com cerca de 2.000 habitantes, localizada a aproximadamente 59 quilômetros de Kara. Ali, muitas famílias dependem de rios ou poços inseguros, e percorrem longas distâncias para obter água. A construção de um novo poço permitirá melhorar a saúde da população e assegurar acesso contínuo a água limpa.
Também em Tchandida, outra comunidade rural no norte do Togo, os salesianos desenvolvem um projeto de perfuração de poço que beneficiará a mais de 1.300 pessoas, contribuindo para a melhoria das condições sanitárias e de vida da população.
Além de garantir o acesso a água potável, os projetos incluem ações de conscientização sobre higiene e uso responsável da água, bem como a criação de comitês locais que zelam pela manutenção das infraestruturas.
Diante disso, os Salesianos seguem empenhados para que nenhuma criança precise percorrer quilômetros diariamente em busca de água potável, convictos de que acompanhar, proteger e educar também significa assegurar o acesso a um direito fundamental : a água.
Fonte: Misiones Salesianas



