Índia – Dia Mundial da Água: ‘Quando a água retorna, o futuro se reescreve…’
(ANS – Ahmednagar) – Todos os anos, em 22 de março, o mundo celebra o Dia Mundial da Água, chamando a atenção para a importância vital da água e para a necessidade urgente de sua gestão sustentável. Para a Congregação Salesiana, este dia é também uma ocasião para reconhecer e reafirmar o empenho de muitas instituições salesianas em todo o mundo que trabalham incansavelmente para garantir, às comunidades pobres e marginalizadas, o acesso a água.
Destaque-se entre elas o Bosco Gramin Vikas Kendra (BGVK) na Índia, cujo trabalho silencioso, mas transformador, está a reescrever a história da água nas regiões propensas à seca de Ahmednagar e Beed, em Maharashtra. Nessas zonas de escassez pluviométrica, a água nunca foi algo garantido. Cada verão traz consigo perguntas inquietantes: Quem ficará? O que sobreviverá? Por quanto tempo as esperanças poderão durar?
Para camponeses marginalizados, como Murlidhar, antigamente a monção determinava tudo. Uma colheita, fracassada significava migração; duas significavam dívidas. A água não era uma certeza: era uma aposta.
Hoje, essa história está mudando. “Agora a terra escuta, agora a água voltou”, diz ele, enquanto aperta o solo fértil entre os dedos. Seu testemunho reflete uma transformação possibilitada por mais de trinta anos de intervenção constante e centrada na comunidade por parte da BGVK.
O que começou no final dos anos 80s como uma intervenção nas bacias hidrográficas em algumas áreas de Ahmednagar, agora se estendeu a 12 distritos de Maharashtra, alcançando 56 aldeias e causando um impacto direto em mais de 48.000 pessoas de 8.406 famílias. Por meio de intervenções de desenvolvimento de bacias hidrográficas que cobrem 20.218 hectares, a BGVK construiu um modelo baseado na sustentabilidade, na participação e na apropriação local.
Graças à construção de diques e barragens de contenção, bacias agrícolas, reservatórios para lixiviados e águas residuais, e valas de contenção contínuas, a iniciativa permitiu que a água da chuva recarregasse os aquíferos esgotados e restaurasse o equilíbrio ecológico. A água não é mais considerada uma necessidade isolada, mas a base da vida, dos meios de subsistência e da resiliência de longo prazo.
Os resultados vão muito além da restauração ambiental. Com o aumento dos níveis das águas subterrâneas e a estabilização da agricultura, a migração sazonal diminuiu significativamente. As famílias que antes deixavam suas aldeias em busca de sobrevivência agora ficam em suas terras e com a confiança renovada. O aumento da produtividade agrícola permitiu que os pais investissem na educação de seus filhos, abrindo portas que antes pareciam fechadas para sempre. As moradias temporárias estão sendo gradualmente substituídas por casas permanentes — sinais visíveis de estabilidade e dignidade recuperadas.
Também do ponto de vista ecológico, a mudança é evidente. Os cursos d’água sazonais fluem agora por períodos mais longos e os terrenos antes limitados à monocultura agora suportam ciclos de cultivo múltiplos. Os agricultores estão diversificando a produção para a horticultura, a produção leiteira e atividades relacionadas, reforçando tanto a segurança da renda quanto a resiliência climática.
Por ocasião do Dia Mundial da Água, as paisagens de Ahmednagar e Beed oferecem, portanto, um testemunho poderoso. Elas contam uma história não de abundância repentina, mas de resiliência pacientemente reconstruída: – de água, que não chega apenas para alívio temporário, mas que permanece como uma promessa duradoura.
É que, quando a água retorna, ela faz muito mais do que encher os poços: restaura os meios de subsistência, renova a dignidade, dá às famílias a coragem de imaginar um futuro que não se esgotará com a mudança das estações.