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12 Fevereiro 2026
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Itália – Como uma Ferrari sem freios: educar para as emoções e frear o descontrole dos jovens

(ANS — Frascati) — As notícias das últimas semanas revelam uma Itália ferida: adolescentes que empunham facas em vez de palavras, conflitos que terminam em tragédias, violência que irrompe justamente nos espaços destinados à educação e à convivência segura, como a escola. Episódios todos que desafiam famílias, instituições e comunidades educativas, evidenciando uma geração cada vez mais fragilizada na comunicação, na…

(ANS — Frascati) — As notícias das últimas semanas revelam uma Itália ferida: adolescentes que empunham facas em vez de palavras, conflitos que terminam em tragédias, violência que irrompe justamente nos espaços destinados à educação e à convivência segura, como a escola. Episódios todos que desafiam famílias, instituições e comunidades educativas, evidenciando uma geração cada vez mais fragilizada na comunicação, na gestão das emoções e nas relações interpessoais. Diante dessa necessidade, a “Escola de Pais” do Instituto Salesiano Villa Sora, localizada em Frascáti, realizou seu terceiro encontro, abordando um tema central: «É viável educar para as emoções?».

O tema, bastante concreto, foi discutido em 23 de janeiro numa sala cheia de Pais atentos e engajados, durante um evento organizado pelos salesianos de Frascáti para fornecer ferramentas de reflexão e suporte educacional.

Moderados pela jornalista da Radio1 Rai, Diana Alessandrini, os psicólogos e formadores Rosanna Schiralli e Ulisse Mariani apresentaram um modelo educativo baseado em relações de qualidade, competência emocional e responsabilidade, combinando dados, neurociência, experiência clínica e exemplos concretos.

A reunião começou com uma referência a um evento recente que chocou a sociedade: a morte de um jovem numa escola, ocorrida durante as comemorações do “Dia Nacional do Respeito”, instituído em memória de Willy Monteiro Duarte: um paradoxo dramático que, conforme lembrou Alessandrini, não deve ser considerado um caso isolado. Conforme dados do CNR, cerca de 90 mil jovens entre 15 e 19 anos afirmaram ter usado uma faca pelo menos uma vez para ferir ou intimidar colegas. Um fenômeno em ascensão que afeta diretamente famílias e instituições de ensino.

Segundo Rosanna Schiralli, para educar emocionalmente não basta apenas “falar sobre emoções”; é preciso desenvolver, de fato, o cérebro… emocional. “Os jovens atuais enfrentam desafios para identificar o que os motiva, não lidam bem com a frustração e procuram gratificação instantânea por meio de comportamentos impulsivos”, esclareceu. A especialista enfatizou a conexão entre angústia emocional e crescimento de vícios, que vão desde o consumo de álcool e drogas até ao uso excessivo de tecnologia e automutilação.

Schiralli empregou uma metáfora explícita: “Uma Ferrari potente, mas sem freios”. Ela afirmou que as crianças nascem com grande potencial, porém sem habilidades para gerenciar impulsos e emoções. “Os freios são construídos”, afirmou, “por meio da educação emocional”. Um processo que envolve acolhimento, sintonia, espelhamento; mas também exige regras claras, limites, disciplina – componentes que se tornam cada vez mais desafiadores na sociedade atual.

Ulisse Mariani aprofundou o tema, trazendo perspectivas da neurociência e da psicologia evolutiva: o cérebro humano atinge sua maturidade por volta dos 24 anos, e seu desenvolvimento depende diretamente da qualidade das relações educativas. “Pais, professores e educadores são os verdadeiros arquitetos do cérebro dos jovens”, destacou. Sem um direcionamento adulto que equilibre afeto e limites, corre-se o perigo de criar jovens dominados pelos impulsos, inapto a convertê-los em atitudes conscientes. A empatia, ativada pelos neurônios espelho, precisa ser cultivada desde cedo, não apenas no seio da família mas também na escola, que deve cada vez mais integrar, ao ensino tradicional, uma “didática das emoções”.

A reunião terminou com a leitura de uma carta redigida por um diretor escolar sobrevivente dos campos de concentração nazista, que defende que a educação transcende a formação de alunos habilidosos: é sobre a formação de Pessoas. Um chamado profundo, que resume a essência da iniciativa dos Salesianos de Villa Sora: educar para as emoções não é um luxo, mas uma responsabilidade urgente, capaz de prevenir a violência e fornecer aos jovens, ferramentas para viver de forma verdadeiramente humana.

A Escola de Pais de Villa Sora reafirma seu valor como espaço de diálogo, onde famílias e profissionais compartilham experiências e buscam soluções conjuntas para um dos desafios educativos mais cruciais da atualidade. Em tempos nos quais a violência frequentemente nasce da incapacidade de sentir e esperar, educar para as emoções deixa de ser apenas uma escolha pedagógica: torna-se um ato de responsabilidade coletiva para o futuro dos jovens.

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