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11 Março 2026
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Itália – Entre mal-estar e rebeldia: como compreender o sofrimento adolescente além das aparências

(ANS – Frascati) – O quarto encontro da “Escola de Pais”, promovida pelos Salesianos do Instituto Villa Sora, em Frascáti, nos arredores de Roma, colocou em pauta um tema que desafia cotidianamente muitas famílias: “Comportamentos de risco na adolescência: mal-estar ou rebeldia?”. O debate, moderado pela Jornalista Diana Alessandrini, teve como principal referência a intervenção da Dra. Laura Dalla Ragione, Psiquiatra…

(ANS – Frascati) – O quarto encontro da “Escola de Pais”, promovida pelos Salesianos do Instituto Villa Sora, em Frascáti, nos arredores de Roma, colocou em pauta um tema que desafia cotidianamente muitas famílias: “Comportamentos de risco na adolescência: mal-estar ou rebeldia?”.

O debate, moderado pela Jornalista Diana Alessandrini, teve como principal referência a intervenção da Dra. Laura Dalla Ragione, Psiquiatra especialista em transtornos do comportamento alimentar. Em sua exposição, apresentou reflexões e instrumentos práticos para ajudar pais e educadores a compreender a complexidade do universo juvenil contemporâneo.

Uma fragilidade disfarçada de segurança

Um dos pontos principais abordados durante o encontro foi o paradoxo que define muitos adolescentes atualmente: apesar de frequentemente se mostrarem autônomos e confiantes, os jovens ocultam uma significativa fragilidade interna. De acordo com a Dra. Dalla Ragione, o sentimento mais comum entre eles não é a vontade de se sobressair, mas a vergonha e o receio de não atender às expectativas. Hoje, o apoio a um sistema de valores comuns, que antes era sustentado pela família, escola e Igreja, enfraqueceu. Nesse cenário, comunidades educacionais como a de Villa Sora desempenham um papel crucial e uma missão premente no suporte às gerações mais jovens.

A força das palavras e o reflexo emocional

O impacto das palavras na formação da identidade dos jovens foi outro aspecto destacado durante a reunião. Frases recebidas ou não recebidas podem ter um impacto profundo na vida de alguém. É, portanto, responsabilidade dos adultos não evitar ou negar o sofrimento dos filhos, mas, sim, aprender a enfrentá-lo ao lado deles. “A dor não é uma objeção à vida; ela faz parte dela” – disse a especialista, incentivando os pais a praticarem o que se chama de espelhamento emocional. O objetivo é evitar reduzir as angústias dos jovens a respostas simplistas e, em vez disso, reconhecer que os adultos também vivenciam emoções semelhantes, auxiliando-os a entender e a estruturar seu próprio mundo interior.

Comportamentos de risco como pedidos de ajuda

Da automutilação aos transtornos alimentares, passando pelo consumo de substâncias sintéticas e álcool, muitos comportamentos de risco podem ser interpretados como tentativas de “autocuidado” ou como silentes pedidos de atenção e reconhecimento. Fenômenos como a automutilação superficial, em forte crescimento também pela influência imitativa das redes sociais, muitas vezes surgem como uma tentativa de aliviar um sofrimento… psicológico insuportável, por meio da dor… física.

A prevenção passa pelas “grandes perguntas”

O desafio educativo não pode restringir-se a censuras ou a simples proibições. A verdadeira prevenção consiste em ajudar os jovens a confrontar suas grandes perguntas sobre o sentido da vida: – O que é liberdade? – O que é responsabilidade?

Neste mundo marcado pelo excesso de estímulos digitais, a tarefa dos adultos é reabrir horizontes e indicar caminhos, assegurando aos jovens que é possível realizar seus projetos de vida, mesmo em meio às incertezas do futuro.

Uma comunidade que acompanha

O encontro foi encerrado com uma mensagem de esperança: o “tesouro” de amor e proximidade construído nos primeiros anos de vida nunca se perde e permanece como base sólida sobre a qual os filhos, após a inevitável fase de distanciamento e contestação, podem reconstruir sua própria identidade.

Nesse horizonte, o Instituto Salesiano Villa Sora procura acompanhar os jovens não apenas como instituição educativa mas como uma verdadeira “pátria familiar”, onde — nas palavras de Hannah Arendt — entre as pessoas pode nascer “um mundo seguro”.

Laura Ferrante

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