Polônia – Rumo à beatificação do P. Jan Świerc e seus Companheiros, salesianos poloneses mártires: P. Karol Golda SDB
(ANS – Cracóvia) – O P. Karol Golda nasceu em Tychy, na Silésia, em 23 de dezembro de 1914, filho de Ludwik e Anna, nascida Świerczyk.
Infância e juventude
Os primeiros anos de escola transcorreram em sua cidade natal, seguindo depois para o ginásio em Pszczyna. Desde muito jovem, destacava-se por uma expressão que o caracterizava: gostava de ir para lugares elevados. Quando questionado sobre o motivo, respondia: “Preciso tender para o alto”. Distinguia-se por uma piedade edificante: aproximava-se frequentemente da Comunhão e adorava com alegria o Santíssimo Sacramento.
Certo dia, encontrou alguns alunos salesianos de Oświęcim (Auschwitz). Os relatos sobre a vida em comunidade no internato e na escola o fascinaram. Tinha então 13 anos e havia decidido que queria entrar para Oświęcim a qualquer custo. Inicialmente, os responsáveis recusaram seu pedido, mas ele procurou pessoalmente o Diretor e foi admitido, ainda que sob algumas condições. Seus pais tentaram dissuadi-lo, argumentando que a vida no internato poderia não lhe ser adequada e apresentando-lhe perspectivas mais confortáveis no mundo. Contudo, já percebiam que no coração do filho havia amadurecido o desejo de consagrar-se totalmente a Deus. O jovem Karol repetia então as palavras de Santo Estanislau Kostka: “Sinto que nasci para coisas maiores”.
Desde então, Deus o conduziu por um caminho exigente, mas seguro: o da verdade e da salvação. Os anos escolares, até a sexta classe, foram marcados por estudo diligente e contínuo progresso moral. Destacava-se pela responsabilidade no cumprimento dos deveres e pelo relacionamento cordial com superiores e colegas. Era também bom esportista, demonstrando habilidade, força, elegância.
Caminho salesiano
Aos 16 anos, em 1931, foi admitido ao noviciado da Congregação Salesiana em Czerwińsk. Um de seus companheiros escreveu: “Apesar da pouca idade, levava muito a sério a formação espiritual”.
Em 23 de julho de 1932, emitiu os votos temporários, concluindo o noviciado. Prosseguiu a formação em Marszałki, onde completou os estudos ginasiais. Em seguida, dedicou-se com empenho à filosofia e às ciências. Era extremamente disponível para os colegas, ajudando os mais frágeis tanto nos estudos quanto em outras atividades. Não surpreende, portanto, o juízo positivo dos superiores: “O clérigo Karol Golda distingue-se pelo bom espírito; é muito dotado, ama a matemática e a filosofia, e está disposto para qualquer trabalho”.
Aquela avaliação abriu-lhe a possibilidade de estudar em Roma, na Universidade Gregoriana. Após concluir os estudos, foi enviado ao tirocínio pedagógico em Daszawa, trabalhando com jovens. Ali demonstrou notáveis capacidades educativas, colocando em prática os conhecimentos adquiridos. Sua paixão pelo esporte atraía numerosos jovens: sabia organizá-los, incentivar os mais lentos e acompanhar a todos, de perto. Corrigia com equilíbrio, encorajava com firmeza e exercia sua autoridade com tal bondade e justiça que suas orientações eram sempre acolhidas com respeito.
Dada a sua extraordinária capacidade, os superiores abreviaram o tirocínio e, em 1935, o enviaram a Roma para os estudos teológicos. Ali, a Teologia tornou-se o centro de sua dedicação, especialmente a Dogmática e a Sagrada Escritura.
Em 15 de janeiro de 1937, professou os Votos perpétuos em Roma e, em 18 de dezembro de 1938, recebeu a ordenação sacerdotal das mãos de Dom Salvatore Rotolo, Bispo salesiano, na Basílica do Sagrado Coração, de Roma. No dia seguinte, celebrou sua primeira Missa nas Catacumbas de São Calisto. Após obter a licenciatura em teologia, retornou à Polônia em julho de 1939.
Estava em Poznań quando a guerra começou. Transferiu-se, juntamente com outros coormãos, para a casa salesiana de Ląd, onde demonstrou uma notável serenidade perante as adversidades. Posteriormente, voltou a Poznań e passou a colaborar ativamente na pastoral da igreja salesiana da Rua Wroniecka.
Desejava aprofundar os estudos bíblicos, mas não obteve autorização das Autoridades alemãs. Foi então nomeado Conselheiro (Diretor de Estudos) de um grupo de teólogos em Oświęcim. Exerceu a função com reconhecida seriedade, aliando a essa responsabilidade um zelo constante pelo ministério sacerdotal. Durante certo período, prestou também assistência pastoral à paróquia de Mysłowice. Nesse contexto, aprofundava progressivamente sua vida espiritual e manifestava profundo apreço pela vida religiosa comunitária, na qual encontrava um ambiente de fraternidade e sentido evangélico.
A prisão
Em 31 de dezembro de 1941, foi preso pela Gestapo e levado ao campo de concentração de Auschwitz (Oświęcim). Motivo da prisão: ‘Singular: passava longas horas no confessionário, reconciliando as pessoas com Deus, atendendo inclusive aqueles de língua alemã. Entre eles, um soldado alemão, católico praticante, que se confessava regularmente com ele’.
Entretanto, o regime nazista proibia aos militares o acesso privado aos Sacramentos, e também vedava aos sacerdotes poloneses ministrá-los a alemães. Consciente dos riscos, o P. Golda não deixou de exercer seu Ministério. A Gestapo logo identificou sua “culpa”: foi preso, enquanto o soldado foi enviado para o front oriental.
Martírio e morte
Durante cinco meses, sofreu intensamente no campo, submetido a torturas e ao bunker da fome. Mesmo entre membros das SS, difundiu-se a convicção de que havia morrido como vítima do sigilo sacramental.
Um de seus coirmãos testemunhou: “Ele caiu no exercício do seu ministério sacerdotal. Foi um amor sobrenatural que o conduziu a isso. Se toda a sua existência foi marcada pelo domínio da vontade diante das dificuldades, assim o demonstrou de modo heroico nos momentos finais. Até mesmo os seus opositores reconheceram a solidez e a firmeza de sua vocação sacerdotal”.
Em 14 de maio de 1942, o P. Karol Golda, com apenas 28 anos, morreu em Auschwitz (Oświęcim). Sua morte martirial privou a Congregação de um sacerdote cheio de energia, religioso exemplar e educador de grande talento. Estava no nono ano de vida religiosa e no terceiro de sacerdócio. O seu número no campo de morte nazista: 18.160.
Processo de beatificação
O P. Golda é um dos 122 Servos de Deus cujo processo de beatificação foi iniciado em 17 de setembro de 2003, relativo ao segundo grupo de mártires poloneses da Segunda Guerra Mundial. Em 24 de maio de 2011, encerrou-se a fase diocesana em Pelplin, com envio da documentação ao Dicastério das Causas dos Santos de Roma.
A Positio foi apresentada em 21 de julho de 2022, sob a relatoria do P. Szczepan Tadeusz Praśkiewicz OCD. Postulador da causa é o P. Pierluigi Cameroni SDB, Postulador-Geral para as Causas dos Santos da FS, em colaboração com a Dra. Mariafrancesca Oggianu.
Na terça-feira, 28 de março de 2023, os consultores históricos do Dicastério para as Causas dos Santos emitiram parecer favorável sobre a Positio suppletiva super martyrio do P. Jan Świerc e de oito companheiros, sacerdotes da Sociedade de São Francisco de Sales (SDB), mortos por ódio à Fé nos campos de extermínio nazistas entre os anos de 1941 e 1942.
Em 24 de outubro de 2025, o Papa Leão XIV autorizou a publicação do Decreto sobre o martírio e sua inclusão nos atos do Dicastério para as Causas dos Santos.
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