{"id":2029913,"date":"2026-01-27T23:00:00","date_gmt":"2026-01-27T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-01-27T23:00:00","modified_gmt":"2026-01-27T23:00:00","slug":"portugal-esta-e-uma-provincia-muito-acolhedora-sentimo-nos-imediatamente-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/portugal-esta-e-uma-provincia-muito-acolhedora-sentimo-nos-imediatamente-em-casa\/","title":{"rendered":"Portugal \u2013 \u201cEsta \u00e9 uma Prov\u00edncia muito acolhedora, sentimo-nos imediatamente em casa\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>(ANS \u2013<\/strong> <strong>Lisboa)\u00a0\u2013 <\/strong>Na Visita Extraordin\u00e1ria \u00e0 Prov\u00edncia Portuguesa, o Conselheiro Regional para a Regi\u00e3o Mediterr\u00e2nea, Pe. Juan Carlos Godoy, sublinha a excel\u00eancia das escolas salesianas, a criatividade de iniciativas como a Festa da Santidade Juvenil, bem como a forte corresponsabilidade dos leigos e o horizonte mission\u00e1rio aberto aos jovens mais pobres.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No seu longo percurso vocacional, marcado pela frase \u201cdo teu sim ou do teu n\u00e3o depende a felicidade de muitos\u201d, o Pe. Juan Carlos deixa uma mensagem de esperan\u00e7a aos salesianos, educadores e jovens: perante desafios como novas pobrezas emocionais e culturais \u00e9 importante recordar que \u201co Senhor est\u00e1 connosco\u201d. Reviver esta certeza, a cada dia, \u00e9 garantir a constru\u00e7\u00e3o de um futuro de vitalidade salesiana, onde David vence Golias pela confian\u00e7a na presen\u00e7a divina.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 uma Visita Extraordin\u00e1ria? Quem as realiza?<\/strong><\/p>\n<p>A visita extraordin\u00e1ria \u00e9 um momento importante para todas as prov\u00edncias salesianas. \u00c9 uma visita que as nossas constitui\u00e7\u00f5es pedem ao Reitor-Mor que fa\u00e7a, uma vez no sex\u00e9nio, a todas as prov\u00edncias da Congrega\u00e7\u00e3o. O mesmo artigo prev\u00ea que esta possa ser feita por um visitador, por um delegado, uma vez que \u00e9 imposs\u00edvel que o Reitor-Mor fa\u00e7a todas as visitas extraordin\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u00c9 uma visita para animar, para promover a comunh\u00e3o, para conhecer a realidade e poder orient\u00e1-la em fidelidade ao carisma salesiano, em fidelidade a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.salesianos.pt\/biografia\/s-joao-bosco\/\">Dom Bosco<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Que import\u00e2ncia t\u00eam estas Visitas Extraordin\u00e1rias? O que representam para a prov\u00edncia que as recebe?<\/strong><\/p>\n<p>As Visitas Extraordin\u00e1rias permitem um conhecimento mais pr\u00f3ximo da realidade de cada prov\u00edncia, de cada casa e dos irm\u00e3os, por parte do Reitor-Mor, e por parte do Conselho Geral. Por isso, ap\u00f3s cada visita, o visitador deve preparar um relat\u00f3rio que \u00e9 apresentado ao Conselho Geral e ao Reitor-Mor.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o estudo desse relat\u00f3rio, o Reitor-Mor escreve uma carta ao respetivo\u00a0Provincial.<\/p>\n<p><strong>Quais as principais motiva\u00e7\u00f5es para esta visita \u00e0 Prov\u00edncia Portuguesa?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9, principalmente, a necessidade de estabelecer rela\u00e7\u00f5es muito pr\u00f3ximas entre cada uma das prov\u00edncias e o Reitor-Mor, para que este as possa animar e orientar, de modo que todas as prov\u00edncias possam avan\u00e7ar nos seus objetivos, nas suas apostas, nas suas iniciativas. Seguindo, sempre, as orienta\u00e7\u00f5es que v\u00e3o saindo dos diferentes Cap\u00edtulos Gerais (CG).<\/p>\n<p><strong>Como olha a realidade atual da Prov\u00edncia Portuguesa?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma realidade muito bonita. N\u00e3o \u00e9 uma realidade muito grande, s\u00e3o 10 casas, com a de Cabo Verde, mas \u00e9 uma realidade consistente. \u00c9 uma realidade que tem uma grande vitalidade salesiana.<\/p>\n<p>Quando se chega \u00e0s casas, respira-se, imediatamente, um ambiente salesiano:\u00a0 a proximidade dos jovens, o esp\u00edrito de fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Destaque, tamb\u00e9m, para a grande quantidade de pessoas com as quais os salesianos est\u00e3o a partilhar a sua miss\u00e3o de trabalhar pelos jovens.<br \/> Esta \u00e9 a impress\u00e3o mais global. Tenho uma vis\u00e3o muito positiva da realidade da Prov\u00edncia Portuguesa.<\/p>\n<p><strong>Que aspetos da miss\u00e3o salesiana em Portugal o tocam mais profundamente?<\/strong><\/p>\n<p>Em particular, houve algo que me chamou profundamente a aten\u00e7\u00e3o e que tocou o meu cora\u00e7\u00e3o: \u00a0a festa da Santidade Juvenil \u2013 pude celebr\u00e1-la em v\u00e1rias casas. Esta realidade, al\u00e9m de ser original \u2013 porque \u00e9 a primeira vez que a encontro numa prov\u00edncia \u2013 \u00e9 uma festa muito significativa e com muitas possibilidades pastorais. Ver como os jovens celebravam esta realidade tamb\u00e9m me tocou muito.<\/p>\n<p>Outro aspeto que me tocou profundamente foi ver a serenidade da vida nas comunidades: a serenidade dos irm\u00e3os, a fraternidade simples e singela. Finalmente, esta \u00e9 uma prov\u00edncia muito acolhedora, sentimo-nos imediatamente em casa, sentimo-nos muito bem acolhidos, muito bem acompanhados.<\/p>\n<p>Destaco, ainda, as demonstra\u00e7\u00f5es de proximidade e de carinho dos jovens que, vinham pelo p\u00e1tio e me abra\u00e7avam. S\u00e3o coisas muito bonitas.<\/p>\n<p><strong>Como avalia o papel das presen\u00e7as salesianas no contexto educativo portugu\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma prov\u00edncia muito marcada pela realidade escolar, muito bem conduzida e com muita identidade salesiana.<\/p>\n<p>As escolas salesianas em Portugal est\u00e3o num n\u00edvel de excel\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 pelos resultados educativos, mas, tamb\u00e9m, porque s\u00e3o um espa\u00e7o oportuno para cumprir a miss\u00e3o salesiana: educar e evangelizar.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um espa\u00e7o onde o bin\u00f3mio evangelizar-educar, educar-evangelizar, pode ser feito com mais plenitude, \u00e9, precisamente, nas escolas. E \u00e9 por isso que valorizo, tanto, todas as atividades que esta prov\u00edncia pensou em torno da realidade escolar. Destaco, por exemplo, o ArtiSport, por ser um espa\u00e7o onde se pode encontrar tantos jovens. Outro elemento que destaco nas escolas \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o com todos aqueles que t\u00eam necessidades especiais, atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios departamentos Psicopedag\u00f3gicos.<\/p>\n<p><strong>A Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana est\u00e1 em constante processo de renova\u00e7\u00e3o. Quais s\u00e3o, no seu entender, os maiores desafios que hoje enfrentamos a n\u00edvel global?<\/strong><\/p>\n<p>Olhando para o mundo, ao qual, hoje, como salesianos, temos de responder e que o Senhor nos confia, eu diria que o primeiro desafio da Congrega\u00e7\u00e3o \u00e9 o de chegar aos jovens.<\/p>\n<p>Num mundo marcado por uma grande diversidade cultural, \u00e9tnica, religiosa e sociocultural dos jovens, chegar a todos eles continua a ser um grande desafio.<\/p>\n<p>Por outro lado, chegar aos jovens mais pobres, atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m um grande desafio, seja nos orat\u00f3rios, nas par\u00f3quias ou nas obras de a\u00e7\u00e3o social<\/p>\n<p><strong>O cuidado para com os mais pobres e exclu\u00eddos \u00e9 uma prioridade no carisma salesiano. Quais s\u00e3o, hoje, as novas formas de pobreza que desafiam a Congrega\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, existem muitas formas de pobreza entre os jovens. Acho que dizer jovem, hoje, olhando para o mundo global, \u00e9 dizer pobreza. \u00c9 verdade que temos muitos jovens em sociedades de bem-estar, mas a Congrega\u00e7\u00e3o est\u00e1, globalmente, em locais pobres, onde outros n\u00e3o chegam. E \u00e9 a\u00ed que estamos.<\/p>\n<p>A primeira forma de pobreza atual, mas que \u00e9 muito antiga, \u00e9 a pobreza material e a\u00ed a Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana continua a atuar. Depois, existe a pobreza cultural: as necessidades b\u00e1sicas s\u00e3o atendidas, mas n\u00e3o h\u00e1 acesso \u00e0 cultura. Tamb\u00e9m nesses locais a Congrega\u00e7\u00e3o est\u00e1 a dar resposta, apostando em forma\u00e7\u00e3o profissional, que permite a entrada dos jovens no mundo do trabalho. Existe, ainda, a pobreza no campo emocional \u2013 que \u00e9 a mais dif\u00edcil de lidar. Hoje, encontramos muitos jovens que s\u00e3o pobres afetivamente, muitos jovens que s\u00e3o pobres porque est\u00e3o sozinhos, porque ningu\u00e9m os acompanha. T\u00eam tudo, mas falta-lhes carinho e proximidade.<\/p>\n<p>Destaco, tamb\u00e9m, um outro campo que est\u00e1 a ser trabalhados pela Congrega\u00e7\u00e3o que \u00e9 a quest\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es, especialmente na regi\u00e3o mediterr\u00e2nica. E o acompanhamento que est\u00e1 a ser feito \u00e0s fam\u00edlias e jovens que se encontram nesta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Fala-se muito da diminui\u00e7\u00e3o de\u00a0voca\u00e7\u00f5es\u00a0na Europa. Como \u00e9 que a Congrega\u00e7\u00e3o est\u00e1 a procurar responder a este desafio?<\/strong><\/p>\n<p>O desafio vocacional tem uma primeira preocupa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o de cada salesiano. A Congrega\u00e7\u00e3o est\u00e1 empenhada em ajudar cada salesiano a ser um bom salesiano, a viver com alegria e felicidade, a voca\u00e7\u00e3o salesiana, porque s\u00f3 assim podemos \u201ccontagiar\u201d a nossa realidade e os que nos rodeiam.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que, como salesianos, a nossa principal preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser vocacional, mas, sim, responder aos jovens. Os jovens t\u00eam o direito a ser orientados para poderem descobrir o seu lugar no mundo, o seu lugar na Igreja. Essa \u00e9 a nossa voca\u00e7\u00e3o: ajud\u00e1-los a descobrir o caminho para o qual Deus os chama.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es \u00e9 complexa, depende de v\u00e1rios fatores. N\u00e3o temos jovens, a natalidade \u00e9 cada vez mais baixa.<\/p>\n<p>Quando olho para a nossa realidade, n\u00e3o sou daqueles que est\u00e3o continuamente a demonizar a nossa cultura. Temos muitas coisas bonitas, mas n\u00e3o deixo de reconhecer que a nossa cultura n\u00e3o \u00e9 uma cultura vocacional.<\/p>\n<p><strong>Que papel desempenham os leigos na miss\u00e3o salesiana de hoje?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um papel muito importante, \u00e9 verdade que ainda temos de continuar a dar passos, mas a Congrega\u00e7\u00e3o, desde que abordou este tema \u2013 em 1996, no Cap\u00edtulo Geral 24 -, n\u00e3o deixou de insistir nesta realidade.<\/p>\n<p>Temos de reconhecer que os passos que demos, provavelmente, n\u00e3o foram ao ritmo que esper\u00e1vamos, mas a verdade \u00e9 que temos, em muitos lugares, uma realidade muito bonita. Por exemplo, s\u00f3 na nossa regi\u00e3o, h\u00e1 mais de 40 mil leigos comprometidos com a miss\u00e3o salesiana, juntamente com os salesianos.<\/p>\n<p>O desafio, agora, \u00e9 tamb\u00e9m acompanhar todos esses leigos, n\u00e3o para que partilhem, apenas, um trabalho, mas, acima de tudo, para que partilhem o esp\u00edrito de Dom Bosco e a miss\u00e3o salesiana.<\/p>\n<p>Esp\u00edrito e miss\u00e3o s\u00e3o as duas realidades que tamb\u00e9m d\u00e3o identidade \u00e0 nossa miss\u00e3o na Igreja.<\/p>\n<p><strong>No ano em que se celebram os 150 anos da Primeira Expedi\u00e7\u00e3o Mission\u00e1ria, que horizontes mission\u00e1rios se abrem, hoje, para os Salesianos?<\/strong><\/p>\n<p>A Congrega\u00e7\u00e3o n\u00e3o abandona o horizonte mission\u00e1rio. Na verdade, n\u00f3s, salesianos, consideramos que a nossa Congrega\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 mission\u00e1ria. Por exemplo, acab\u00e1mos de fundar uma miss\u00e3o na Gr\u00e9cia. H\u00e1 dois anos que estamos \u00e0 espera de entrar na Arg\u00e9lia. Temos frentes mission\u00e1rias, evidentemente, em \u00c1frica, mas h\u00e1, ainda, muitas frentes mission\u00e1rias.<\/p>\n<p>Dentro da nossa pr\u00f3pria regi\u00e3o, temos o horizonte mission\u00e1rio do Norte de \u00c1frica, do M\u00e9dio Oriente e nesta Prov\u00edncia h\u00e1 o horizonte mission\u00e1rio de Cabo Verde.<\/p>\n<p>Em Cabo Verde existem muitos jovens que est\u00e3o \u00e0 espera que Dom Bosco tamb\u00e9m lhes d\u00ea uma resposta.<\/p>\n<p><strong>E continuamos a ter salesianos com o cora\u00e7\u00e3o mission\u00e1rio de Dom Bosco?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. O Reitor-Mor escreve, todos os anos, uma carta de apelo aos irm\u00e3os que queiram partir em miss\u00e3o. E a esse desafio respondem, por ano, entre 20 e 30 irm\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>A Congrega\u00e7\u00e3o iniciou, este ano, uma nova etapa com a elei\u00e7\u00e3o do novo Reitor-Mor. Que caracter\u00edsticas destaca da sua personalidade e lideran\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>A primeira caracter\u00edstica que eu destaco \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o com a pessoa \u2013 e eu j\u00e1 a experimentei na primeira pessoa. Interessa-se pela nossa vida, pela nossa sa\u00fade, pelas nossas fam\u00edlias, e pela nossa vida espiritual tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Outras das caracter\u00edsticas do Reitor-Mor \u00e9 que ele n\u00e3o tem tempo: quando um irm\u00e3o pede algum tempo para falar, est\u00e1 sempre dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tem, evidentemente, uma grande capacidade intelectual, uma grande capacidade de pensar, de orientar \u2013 o que \u00e9 vis\u00edvel nas suas interven\u00e7\u00f5es. E tem uma grande capacidade para as l\u00ednguas, o que lhe permite, tamb\u00e9m, a proximidade com as pessoas.<\/p>\n<p>Tem um grande amor por Dom Bosco. E insiste muito que temos de conhecer Dom Bosco, n\u00e3o apenas de o amar, \u00e9 importante que o conhe\u00e7amos.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o caracter\u00edsticas muito importantes para mim, porque para al\u00e9m de ser um homem muito espiritual, \u00e9 um homem de profunda vida de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Em que aspetos a Congrega\u00e7\u00e3o poder\u00e1 notar continuidade e em que aspetos poder\u00e1 notar novidade?<\/strong><\/p>\n<p>Quando chega o novo Reitor-Mor, ele \u00e9 o sucessor de Dom Bosco, portanto, quem garante a continuidade \u00e9 Dom Bosco. E quem garante a continuidade s\u00e3o os Cap\u00edtulos Gerais. O Reitor-Mor e o seu conselho est\u00e3o ao servi\u00e7o dessa continuidade.<br \/> As quatro linhas program\u00e1ticas que o Reitor-Mor apresentou \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o trazem j\u00e1 uma novidade na forma de serem propostas. Anteriormente, a programa\u00e7\u00e3o do sex\u00e9nio era mais extensa e complexa \u2013 agora, resume-se a quatro pontos essenciais.<\/p>\n<p>Os dois primeiros pontos mant\u00eam uma total continuidade com o Cap\u00edtulo Geral anterior, e com o trabalho do anterior Reitor-Mor e do seu Conselho, do qual eu tamb\u00e9m fazia parte. J\u00e1 os dois \u00faltimos introduzem elementos de novidade. Um deles \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o dada ao tema da intelig\u00eancia artificial, que, ali\u00e1s, tamb\u00e9m tem sido uma preocupa\u00e7\u00e3o expressa pelo Papa Le\u00e3o XIV. O nosso Reitor-Mor est\u00e1 muito preocupado com essa realidade, n\u00e3o com a intelig\u00eancia artificial como se fosse um perigo, mas com os desafios educativos e pastorais que esta realidade nos apresenta; de que forma \u00e9 poss\u00edvel coloc\u00e1-la ao servi\u00e7o da nossa realidade, ao servi\u00e7o dos jovens.<\/p>\n<p>A quarta linha program\u00e1tica \u00e9 tamb\u00e9m muito interessante: a Universidade Pontif\u00edcia Salesiana. A universidade que a Congrega\u00e7\u00e3o tem em Roma. O objetivo \u00e9 refor\u00e7ar, revitalizar, reorientar e dar mais vitalidade a esta institui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 muito importante, quer para a Congrega\u00e7\u00e3o, quer para o mundo e para a Igreja.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, a primeira e a segunda linha est\u00e3o em continuidade com o Cap\u00edtulo Geral anterior, as duas \u00faltima representam uma novidade.<\/p>\n<p><strong>Como foi o seu percurso at\u00e9 aqui?<\/strong><\/p>\n<p>Conheci os Salesianos em Utrera, quando tinha 10 anos e, para mim, abriu-se um horizonte verdadeiramente grande, precioso.<\/p>\n<p>Na minha aldeia s\u00f3 havia o ensino prim\u00e1rio e tive de ir estudar para fora. Fiz um exame, obtive uma bolsa de estudos e pude ir para Utrera. Era um col\u00e9gio interno, \u00e9ramos quase 400 alunos.<\/p>\n<p>Fiz todos os meus estudos no col\u00e9gio, sempre com grande sacrif\u00edcio por parte dos meus pais, e, no \u00faltimo ano, quando deveria escolher o curso universit\u00e1rio para o qual queria ir, eu estava um pouco indeciso, no meu cora\u00e7\u00e3o havia muitas d\u00favidas\u2026<br \/> Fui falar com o diretor \u2013 que j\u00e1 tinha percebido que eu estava confuso \u2013 e disse-lhe que me tinha inscrito nos Exerc\u00edcios Espirituais. Num dos dias desse encontro, e durante uma ora\u00e7\u00e3o, houve uma frase que me ficou para sempre gravada na mem\u00f3ria: \u201cdo teu sim ou do teu n\u00e3o depende a felicidade de muitos\u201d. Ao ver aquela frase pensei: \u201cO Senhor est\u00e1 a chamar-me a dizer sim\u201d.<\/p>\n<p>Esta frase marcou a minha vida!<\/p>\n<p>Depois disso fui a casa, para falar com os meus pais, mas como n\u00e3o tive coragem escrevi-lhes uma carta. Contudo, os meus pais n\u00e3o se opuseram e apoiaram-me, desde o primeiro minuto.<\/p>\n<p>Assim, entrei muito jovem para a Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana, tinha 16 anos quando entrei para o pr\u00e9-noviciado. Depois fui para o noviciado, em Sanl\u00facar la Mayor. Fiz o Magist\u00e9rio em Sevilha \u2013 que me permitiu ser professor do ensino geral.<\/p>\n<p>Dei aulas, fiz Teologia, tamb\u00e9m, em Sevilha e, com a chegada de um novo Provincial, veio tamb\u00e9m um convite para Delegado Provincial da Pastoral Juvenil. Assim, com 28 anos, e com um ano de sacerd\u00f3cio, comecei o meu servi\u00e7o \u00e0 Prov\u00edncia. Estive 10 anos nesse cargo (os \u00faltimos quatro tamb\u00e9m como Vig\u00e1rio Provincial). Seguidamente, fui acompanhar a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.familiasalesiana.pt\/\">Fam\u00edlia Salesiana<\/a>, tamb\u00e9m, como Delegado Provincial.<\/p>\n<p>Em 2000, com 40 anos, fui nomeado pelo, ent\u00e3o, Reitor-Mor, Pe. Jo\u00e3o Edmundo Vecchi, Provincial de Sevilha, quando existiam, ainda, sete prov\u00edncias em Espanha.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2006, e depois de terminado o mandato com Provincial, o meu sonho era ir para Roma, para estudar espiritualidade salesiana, mas, o Conselheiro Regional indicou-me para Coordenador Nacional das Escolas, no Centro Nacional de Pastoral Juvenil.<\/p>\n<p>Fui, ainda, diretor em C\u00e1dis \u2013 a experi\u00eancia salesiana mais bonita da minha vida -, e, passados quatro anos, j\u00e1 em 2011, voltei \u00e0s fun\u00e7\u00f5es de Vig\u00e1rio e de Delegado Provincial da Pastoral Juvenil.<\/p>\n<p>Estava em curso o processo de reestrutura\u00e7\u00e3o das prov\u00edncias de Espanha, que ficou conclu\u00eddo em 2014. Fui, ent\u00e3o, nomeado Provincial da Prov\u00edncia de Madrid. Nunca tinha trabalhado no norte de Espanha e conhecia muito poucos irm\u00e3os. Eram 618 irm\u00e3os e 55 comunidades. A\u00ed permaneci, durante seis anos, participando no Cap\u00edtulo Geral 28, durante o qual fui eleito Conselheiro Regional da Regi\u00e3o Mediterr\u00e2nea. No CG 29 fui reeleito por mais seis anos.<\/p>\n<p>Foi um longo caminhar\u2026<\/p>\n<p><strong>Que momentos marcaram mais a sua caminhada vocacional?<\/strong><\/p>\n<p>Aquele primeiro momento foi, para mim, decisivo. Depois n\u00e3o tive muitas crises, nunca pensei que a vida salesiana n\u00e3o era para mim.<\/p>\n<p>Sempre me apoiei em duas coisas: primeiro, no conselho do Reitor-Mor, que me dava os meus formadores \u2013 que me acompanham e me animam; depois senti-me sempre feliz e realizado.<\/p>\n<p>Os momentos iniciais da minha vida salesiana, em que pude acompanhar todo o desenvolvimento da Pastoral Juvenil na minha Prov\u00edncia, com as \u201cP\u00e1scoas Juvenis\u201d, com o movimento \u201cCristo Vive\u201d marcaram-me muito como salesiano e, tamb\u00e9m, a minha voca\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que o inspira, ainda hoje, a viver este caminho e a servir a Congrega\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida a frase: \u201cdo teu sim ou do teu n\u00e3o depende a felicidade de muitos\u201d, n\u00e3o a esqueci. Foi essa a frase que me levou sempre a dizer \u201csim\u201d a todos estes pedidos, para prestar servi\u00e7o \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 ser Conselheiro Regional? O que mais o motiva?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 algo muito bonito. Para mim \u00e9 uma das figuras mais bonitas do Conselho, porque \u00e9 um servi\u00e7o que permite, em primeiro lugar, estar em contacto com o Reitor\u2011Mor, com o Vig\u00e1rio e com os outros conselheiros. E essa \u00e9, tamb\u00e9m, uma realidade muito bonita, que possibilita um conhecimento muito grande da Congrega\u00e7\u00e3o \u2013 de forma indireta, claro, porque os conselheiros regionais, normalmente, n\u00e3o visitam o resto da Congrega\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, eu, por exemplo, durante este sex\u00e9nio vou fazer uma visita \u00e0 Argentina.<\/p>\n<p>O nosso trabalho, o que estudamos sobre cada prov\u00edncia d\u00e1-nos um conhecimento muito profundo de cada realidade.<\/p>\n<p>Por outro lado, este cargo permite, tamb\u00e9m, um contacto pessoal com muitos irm\u00e3os, com os leigos e com os jovens. Por exemplo, no sex\u00e9nio anterior falei, pessoalmente, com quase 1700 irm\u00e3os. Isto \u00e9 de uma riqueza impag\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>No final desta Visita Extraordin\u00e1ria, que mensagem gostaria de deixar aos jovens, aos Salesianos e \u00e0 Fam\u00edlia Salesiana em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma mensagem de esperan\u00e7a. Temos muitos desafios, \u00e9 verdade, mas temos muitas possibilidades. E, sobretudo, temos uma coisa: a certeza de que o Senhor est\u00e1 connosco e de que Maria Auxiliadora, nossa M\u00e3e, tamb\u00e9m nos acompanha.<br \/> Vou partilhar o que disse, aos irm\u00e3os, na Eucaristia final desta visita:\u00a0 penso que podemos comparar os desafios que hoje enfrentamos na Congrega\u00e7\u00e3o, no mundo, nas fam\u00edlias, nos jovens, com Golias, que \u00e9 grande. Perante todos eles sentimo-nos muito fr\u00e1geis, mas David venceu Golias porque o Senhor estava com ele (tal como nos diz o texto da B\u00edblia). Ent\u00e3o, para mim, esta \u00e9 a mensagem: \u201co Senhor est\u00e1 connosco, o Senhor acompanha\u2011nos, o Senhor n\u00e3o nos abandona. A \u00fanica coisa que temos de fazer \u00e9 abrir-Lhe o nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sim, temos dificuldades, h\u00e1 problemas, mas podemos construir um futuro de esperan\u00e7a, sobretudo, para os jovens, que n\u00e3o s\u00e3o apenas os nossos destinat\u00e1rios. O Senhor confia\u2011nos jovens para fazermos o caminho juntos.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.salesianos.pt\/entrevista\/esta-e-uma-provincia-muito-acolhedora-sentimo-nos-imediatamente-em-casa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">salesianos.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(ANS \u2013 Lisboa)\u00a0\u2013 Na Visita Extraordin\u00e1ria \u00e0 Prov\u00edncia Portuguesa, o Conselheiro Regional para a Regi\u00e3o Mediterr\u00e2nea, Pe. 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