{"id":2030456,"date":"2026-03-16T23:00:00","date_gmt":"2026-03-16T23:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-03-16T23:00:00","modified_gmt":"2026-03-16T23:00:00","slug":"madagascar-na-pobreza-de-moramanga-o-sonho-de-dom-vella-sdb-ganha-forma-a-universidade-dom-bosco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/madagascar-na-pobreza-de-moramanga-o-sonho-de-dom-vella-sdb-ganha-forma-a-universidade-dom-bosco\/","title":{"rendered":"Madagascar \u2014 Na pobreza de Moramanga, o sonho de Dom Vella SDB ganha forma: a \u201cUniversidade Dom Bosco\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>(ANS &#8211; <strong>Moramang&aacute;<\/strong>)&nbsp;<\/strong>&mdash; Desde 2019, a Diocese de Moramang&aacute;, localizada no leste de Madagascar e caracterizada pela pobreza, falta de servi&ccedil;os de sa&uacute;de e aus&ecirc;ncia de estradas, &eacute; dirigida pelo Sr. Bispo salesiano, Dom Rosario Saro Vella. Entre as aldeias acessadas de moto e as emerg&ecirc;ncias causadas por ciclones, a prioridade &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o. Seu projeto mais audacioso &eacute; a &lsquo;Universidade Dom Bosco&rsquo;, respaldada pela Confer&ecirc;ncia Episcopal Italiana (CEI), com o objetivo de proporcionar um futuro melhor aos jovens mais carentes. Em seu territ&oacute;rio, 10 mil estudantes frequentam escolas cat&oacute;licas, e mais de 900 jovens recebem bolsas de estudo e assist&ecirc;ncia completa. Por&eacute;m, entre corrup&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o de recursos minerais, o progresso continua sendo um desafio em aberto.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Para alcan&ccedil;ar as aldeias mais remotas de sua vasta Diocese, em Moramang&aacute;, no leste de Madagascar, o Prelado precisa usar uma moto de trilha: em muitas regi&otilde;es, simplesmente n&atilde;o h&aacute; estradas.<\/p>\n<p>Dom Rosario Saro Vella, 75 anos, salesiano origin&aacute;rio de Canicatt&igrave; (Agrigento), &eacute; mission&aacute;rio na &ldquo;Ilha Vermelha&rdquo; h&aacute; 45 anos e a conhece profundamente. &Eacute; o &uacute;nico Bispo italiano no pa&iacute;s. Desloca-se de moto, &eacute; verdade; mas tamb&eacute;m de canoa e em ve&iacute;culos off-road.<\/p>\n<p>Sua diocese est&aacute; a tr&ecirc;s horas e meia de dist&acirc;ncia da capital, Antananarivo, e o caminho &eacute; repleto de estradas esburacadas e dif&iacute;ceis de percorrer. A torre da Catedral sobressai em meio &agrave;s casas de palha e barro, j&aacute; que poucos podem arcar com o custo de tijolos ou chapas met&aacute;licas. Na parte interna, a igreja est&aacute; cheia de jovens em prepara&ccedil;&atilde;o para a Crisma, evidenciando uma comunidade eclesial vibrante e orientada para o futuro. &ldquo;Temos 10 mil alunos em nossas escolas &#8211; da educa&ccedil;&atilde;o infantil ao ensino m&eacute;dio &#8211; : um recurso extraordin&aacute;rio&rdquo; &#8211; diz-nos.<\/p>\n<p><strong>Prioridade: a educa&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Por essa raz&atilde;o, ele decidiu criar a Universidade Dom Bosco. Como verdadeiro salesiano, Dom Vella valoriza a educa&ccedil;&atilde;o. Seu projeto mais audacioso consiste na funda&ccedil;&atilde;o de uma grande Universidade que possa atender pelo menos a mil alunos. A cinco quil&ocirc;metros da C&uacute;ria, o terreno da universidade est&aacute; em fase de constru&ccedil;&atilde;o de salas de aula, biblioteca, dormit&oacute;rios e acomoda&ccedil;&otilde;es para professores. A CEI financiar&aacute; a obra com 1,5 milh&atilde;o de euros por meio do Servi&ccedil;o de Interven&ccedil;&otilde;es Caritativas para o Desenvolvimento dos Povos. Os Salesianos de Dom Bosco, Doadores particulares, Associa&ccedil;&otilde;es&#8230;, tamb&eacute;m contribuem. Al&eacute;m disso, ser&aacute; constru&iacute;da uma casa de acolhida para m&atilde;es solteiras e mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade (casa a ser administrada por religiosas).<\/p>\n<p><strong>A constru&ccedil;&atilde;o do edif&iacute;cio principal se encontra em andamento e ser&aacute; inaugurado em maio<\/strong>. Desde o ano passado, j&aacute; est&atilde;o ativos os cursos de <strong>Economia e Direito<\/strong>, com 300 matriculados. Posteriormente, ser&atilde;o oferecidos tamb&eacute;m cursos de <strong>Educa&ccedil;&atilde;o, Turismo, Comunica&ccedil;&atilde;o<\/strong>. A Diocese sustenta mais de 900 universit&aacute;rios com bolsas de estudo, num investimento que se aproxima de 100 mil euros por ano: &ldquo;Procuramos ajudar a todos os que merecem&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>O projeto acad&ecirc;mico &eacute; conduzido por Prisca Marav, uma das Reitoras mais jovens de Madagascar, com menos de 35 anos de idade. Ela obteve um diploma em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica no pa&iacute;s e, com o apoio do Prelado, acreditou em seu potencial, especializou-se em Direito Internacional em Loppiano (It&aacute;lia). Os desafios s&atilde;o principalmente financeiros: &ldquo;Aqui a prioridade &eacute; garantir a comidinha di&aacute;ria. Estabelecer uma universidade &eacute; um grande desafio. Apesar de as mensalidades serem muito baixas, inferiores a 50 euros anuais, e de haver a oferta de bolsas, muitos alunos precisam trabalhar para ajudar suas fam&iacute;lias. Alguns chegam sem ter comido nada&#8221;, explica a Reitora. Persuadir os jovens mais talentosos a prosseguir em seus estudos, geralmente implica afastar m&atilde;o de obra do trabalho agr&iacute;cola.<\/p>\n<p><strong>Uma forma&ccedil;&atilde;o integral<\/strong><\/p>\n<p>Muitos alunos v&ecirc;m de vilarejos na savana, onde se vive da planta&ccedil;&atilde;o de arroz e da cria&ccedil;&atilde;o de zebus. S&atilde;o poucos os que desejam estudar agronomia ou turismo, &aacute;reas fundamentais para o progresso: &ldquo;Todos almejam por um emprego de escrit&oacute;rio. &Eacute; preciso um esfor&ccedil;o cultural para entender quais sejam as reais demandas do pa&iacute;s&#8221;, diz Marav. Al&eacute;m de apoiar os jovens no aspecto espiritual, a Diocese os acolhe em <strong>comunidades religiosas e oferece assist&ecirc;ncia com alimenta&ccedil;&atilde;o, moradia, despesas m&eacute;dicas<\/strong>. &#8220;N&atilde;o nos preocupamos apenas com os estudos, mas com a Pessoa em sua totalidade, fomentando sua educa&ccedil;&atilde;o total, integral. Nesse meio tempo, as Caritas locais constroem casas de alvenaria para fam&iacute;lias desabrigadas, auxiliam na aquisi&ccedil;&atilde;o de medicamentos e cobrem despesas emergenciais&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Os desafios da Diocese<\/strong><\/p>\n<p>Em Moramang&aacute;, os cat&oacute;licos s&atilde;o cerca de 600 mil, acompanhados por 35 sacerdotes (entre religiosos e diocesanos), al&eacute;m de 22 Congrega&ccedil;&otilde;es. A atua&ccedil;&atilde;o concentra-se sobretudo nos campos educativo, caritativo, social e sanit&aacute;rio, num pa&iacute;s onde <strong>75% da popula&ccedil;&atilde;o vive abaixo da linha da pobreza e o sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de &eacute; praticamente inexistente.<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Fomos de moto at&eacute; uma &aacute;rea de minera&ccedil;&atilde;o de ouro e nos embatemos com alguns jovens carregando uma mo&ccedil;a em maca improvisada com varas de bambu e cobertores. J&aacute; haviam caminhado 18 horas e ainda faltavam cerca de mais dez para chegar a um posto de sa&uacute;de. Injusti&ccedil;as grav&iacute;ssimas e absurdas!&rdquo;, relata o Bispo ou <em>&laquo;P. Saro&raquo;<\/em>, como gosta de ser chamado pelos amigos. &ldquo;Estamos pensando em tentar construir um novo ambulat&oacute;rio nessas regi&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, sempre h&aacute; alguma emerg&ecirc;ncia. Nas &uacute;ltimas semanas, o ciclone Gezani destruiu casas, arrancou telhados e at&eacute; cont&ecirc;ineres resistentes. O Bispo foi ao local para encorajar a popula&ccedil;&atilde;o e levar ajuda. Felizmente, n&atilde;o houve v&iacute;timas na Diocese.<\/p>\n<p>No campo pol&iacute;tico, apesar dos protestos de outubro passado e de novas lideran&ccedil;as no poder, a situa&ccedil;&atilde;o de fundo n&atilde;o mudou. Some-se a isso o conhecido problema dos recursos minerais, que poderiam ser uma riqueza, mas acabam se tornando uma total maldi&ccedil;&atilde;o. Madagascar &eacute; rico em ouro, coltan e cobalto. &ldquo;Infelizmente, os benef&iacute;cios n&atilde;o chegam &agrave; popula&ccedil;&atilde;o mas a poucos governantes e &agrave;s multinacionais estrangeiras &mdash; explica o bispo. Existem intermedi&aacute;rios, frequentemente emiss&aacute;rios de pol&iacute;ticos, que extraem os recursos e depois os revendem no exterior por at&eacute; dez vezes mais. Aqui est&atilde;o presentes Jap&atilde;o, China, R&uacute;ssia, Fran&ccedil;a e Estados Unidos&rdquo;.<\/p>\n<p>Se as estradas fossem adequadas, isso j&aacute; representaria um enorme avan&ccedil;o para o desenvolvimento, sobretudo por meio do turismo, num pa&iacute;s de paisagens extraordin&aacute;rias e biodiversidade &uacute;nica, como as 119 esp&eacute;cies de l&ecirc;mures que existem apenas aqui. &ldquo;Mas onde h&aacute; minas n&atilde;o querem estradas &mdash; conclui o bispo &mdash;, porque assim podem continuar defendendo seus interesses sem a chegada de outros&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Patrizia Caiffa<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.agensir.it\/mondo\/2026\/03\/16\/madagascar-a-moramanga-il-vescovo-in-moto-nei-villaggi-e-la-sf\">SIR<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(ANS &#8211; Moramang&aacute;)&nbsp;&mdash; Desde 2019, a Diocese de Moramang&aacute;, localizada no leste de Madagascar e caracterizada pela pobreza, 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