{"id":2030687,"date":"2026-04-06T22:00:00","date_gmt":"2026-04-06T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-04-06T22:00:00","modified_gmt":"2026-04-06T22:00:00","slug":"rd-congo-entrevista-com-o-p-guillermo-basanes-inspetor-da-inspetoria-africa-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/rd-congo-entrevista-com-o-p-guillermo-basanes-inspetor-da-inspetoria-africa-central\/","title":{"rendered":"RD Congo \u2013 Entrevista com o P. Guillermo Basa\u00f1es, Inspetor da Inspetoria \u00c1frica Central"},"content":{"rendered":"<p><strong>(ANS &ndash; Goma)<\/strong>&nbsp;&ndash; Durante sua visita can&ocirc;nica &agrave; obra salesiana &lsquo;Don Bosco Ngangi&rsquo;, em Goma, o P. Guillermo Basa&ntilde;es, Superior da Inspetoria Maria Sant&iacute;ssima Assunta, da &Aacute;frica Central (AFC), j&aacute; na etapa conclusiva de seu mandato inspetorial, concedeu uma entrevista &agrave; revista&nbsp;<em>Jambo Vijana<\/em>, publica&ccedil;&atilde;o juvenil da Delega&ccedil;&atilde;o S&atilde;o Jos&eacute;, da &Aacute;frica Centro-Leste.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>&#8211; Ao final de seus seis anos &agrave; frente da Inspetoria AFC, como avalia este mandato?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Na realidade, encontro-me atualmente com cinco anos e dois meses de mandato, o que significa que ainda disponho de uma parte significativa deste &uacute;ltimo ano para concluir a miss&atilde;o que me foi confiada.<\/p>\n<p>A Congrega&ccedil;&atilde;o e eu contemplamos a Inspetoria AFC com profundo sentimento de gratid&atilde;o. Trata-se de uma realidade que gosto de comparar a uma m&atilde;e madura e fecunda, prestes a dar &agrave; luz seu terceiro filho. J&aacute; gerou outras Inspetorias &mdash; &Aacute;frica Grandes Lagos e &Aacute;frica Congo-Congo &mdash; e continua a expandir-se, agora com a cria&ccedil;&atilde;o da Visitadoria &Aacute;frica Congo-Leste.<\/p>\n<p>O sentimento predominante, portanto, &eacute; de gratid&atilde;o sincera por tudo o que Deus, por meio de Dom Bosco, continua a realizar nesta Inspetoria. De modo particular, agrade&ccedil;o pelo dom das voca&ccedil;&otilde;es consagradas e pela vitalidade da Fam&iacute;lia Salesiana.<\/p>\n<p>Essa vitalidade se manifesta tamb&eacute;m em sinais concretos de crescimento: a cria&ccedil;&atilde;o de novas Inspetorias, a presen&ccedil;a salesiana recentemente estabelecida em Kalemie, a funda&ccedil;&atilde;o da primeira universidade salesiana do continente africano &mdash; a Universidade Dom Bosco de Lubumb&aacute;shi &mdash; e o fortalecimento do Policl&iacute;nico Afia Don Bosco, na mesma cidade, atualmente em processo de renova&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o indicadores claros de uma Inspetoria din&acirc;mica e em constante desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Seu mandato transcorreu em um contexto por vezes complexo. Quais foram os principais desafios enfrentados?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Quando o Reitor-Mor me enviou a esta Inspetoria, o principal desafio consistia na constru&ccedil;&atilde;o da fraternidade inspetorial e, sobretudo, na promo&ccedil;&atilde;o da reconcilia&ccedil;&atilde;o. Era necess&aacute;rio recompor v&iacute;nculos, restaurar rela&ccedil;&otilde;es e trabalhar intensamente pela unidade. Esse foi, de fato, o mandato central que recebi: favorecer a reconcilia&ccedil;&atilde;o no interior da Inspetoria.<\/p>\n<p>Sem paz, harmonia e sinergia entre os ap&oacute;stolos, toda a miss&atilde;o da Igreja se fragiliza. A primeira miss&atilde;o da Igreja &eacute; a unidade. O pr&oacute;prio Jesus rezou: &ldquo;Que todos sejam um&rdquo; (Jo 17). Sem essa unidade, a a&ccedil;&atilde;o evangelizadora perde sua for&ccedil;a. Este foi, portanto, o grande desafio que me foi confiado em 2021.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Apesar dessas dificuldades, como foi poss&iacute;vel preservar e fortalecer o esp&iacute;rito de Dom Bosco nas diversas comunidades salesianas?<\/strong><\/p>\n<p>Por meio de instrumentos simples e ordin&aacute;rios. Creio n&atilde;o ter introduzido novidades, pois o Esp&iacute;rito Santo j&aacute; havia inspirado tudo a Dom Bosco. Um dos principais meios foi a realiza&ccedil;&atilde;o das visitas inspetoriais. Ao longo desses anos, acompanhei 26 comunidades e cerca de 260 a 270 salesianos.<\/p>\n<p>A Congrega&ccedil;&atilde;o me pedia, essencialmente, que realizasse bem essas visitas &mdash; e foi isso que procurei fazer com fidelidade. Busquei viver o esp&iacute;rito de Dom Bosco no cotidiano, fazendo aquilo que me foi confiado.<\/p>\n<p><strong>&#8211; A cria&ccedil;&atilde;o da Visitadoria ACE representa um momento decisivo. Como o senhor interpreta esse acontecimento para o futuro da miss&atilde;o salesiana no leste do Congo?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; A primeira leitura que fa&ccedil;o &eacute; que Deus, por meio de sua Igreja, n&atilde;o abandona o seu povo. Esse &eacute; o dado mais eloquente, sobretudo porque, do ponto de vista humano, n&atilde;o seria o momento de iniciar uma nova presen&ccedil;a numa regi&atilde;o como o Kivu Norte, de onde muitas organiza&ccedil;&otilde;es est&atilde;o se retirando. Entretanto, Deus age de modo diferente: estabelece-se precisamente onde outros partem. A cria&ccedil;&atilde;o dessa nova circunscri&ccedil;&atilde;o, num contexto historicamente dif&iacute;cil, constitui, portanto, um sinal claro da fidelidade de Deus ao seu Povo.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, revela que ainda h&aacute; uma vasta miss&atilde;o salesiana a ser realizada na regi&atilde;o. A nova Visitadoria n&atilde;o nasce apenas para consolidar o que j&aacute; existe, mas para tornar-se uma aut&ecirc;ntica plataforma mission&aacute;ria. Hoje, a presen&ccedil;a salesiana no leste do Congo concentra-se em tr&ecirc;s grandes cidades &mdash; Bukavu, Goma, Uvira &mdash; , mas muitas outras localidades ainda aguardam presen&ccedil;a e a&ccedil;&atilde;o pastoral: Beni, Butembo, Isangi, Kisangani, Kindu&hellip; O horizonte de expans&atilde;o &eacute;, portanto, amplo e promissor.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio aguardar a exist&ecirc;ncia de 15 comunidades para instituir uma circunscri&ccedil;&atilde;o. Pensando no meu sucessor, poderia dizer, com certa leveza: &ldquo;Voc&ecirc; n&atilde;o ter&aacute; quase nada a fazer!&rdquo;. Atualmente, sou Superior de uma Inspetoria com 26 comunidades e quase 300 coirm&atilde;os, enquanto ele assumir&aacute; uma realidade mais enxuta, com cerca de 8 comunidades e 40 a 50 coirm&atilde;os. &Agrave; primeira vista, isso poderia sugerir menor exig&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, ocorre o contr&aacute;rio. Trata-se de uma decis&atilde;o estrat&eacute;gica do Reitor-Mor: estruturar uma realidade mais &aacute;gil, capaz de funcionar como ponto de partida, uma base mission&aacute;ria orientada &agrave; expans&atilde;o progressiva. Assim, longe de representar uma redu&ccedil;&atilde;o, essa nova configura&ccedil;&atilde;o constitui uma oportunidade concreta de lan&ccedil;ar as bases de uma Visitadoria em crescimento, voltada ao futuro da miss&atilde;o salesiana.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Quais esperan&ccedil;as o senhor deposita nessa nova realidade eclesial e educativa que se desenvolve no leste do pa&iacute;s?<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; A primeira esperan&ccedil;a &eacute; de car&aacute;ter espiritual. A grande esperan&ccedil;a salesiana continuam sendo os jovens, especialmente os mais pobres e vulner&aacute;veis. Onde h&aacute; jovens em situa&ccedil;&atilde;o de fragilidade, h&aacute; tamb&eacute;m um campo fecundo para a miss&atilde;o salesiana. H&aacute;, igualmente, uma esperan&ccedil;a vocacional consistente: o n&uacute;mero de voca&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o &eacute; significativo e encorajador. Soma-se a isso uma perspectiva de desenvolvimento econ&ocirc;mico, sobretudo nos setores agr&iacute;cola e zoot&eacute;cnico, que pode contribuir para a sustentabilidade das presen&ccedil;as.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Qual &eacute; o papel dos leigos no fortalecimento da miss&atilde;o educativa e pastoral na nova Inspetoria?<\/strong><br \/> A Congrega&ccedil;&atilde;o enfatiza cada vez mais o protagonismo dos leigos na miss&atilde;o salesiana. Eles s&atilde;o chamados a assumir esse papel com identidade clara: conhecer a miss&atilde;o, assimilar a espiritualidade de Dom Bosco, viver sua pedagogia e atuar com criatividade, autonomia e liberdade.<\/p>\n<p>Os leigos n&atilde;o devem se perceber como meros colaboradores subordinados aos sacerdotes. Ao contr&aacute;rio, s&atilde;o chamados a ser sujeitos ativos, capazes de iniciar obras, atividades e servi&ccedil;os em favor dos jovens, inclusive em contextos onde os salesianos ainda n&atilde;o est&atilde;o presentes.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Que mensagem o senhor gostaria de deixar para toda a FS da AFC, especialmente para os jovens?<\/strong><br \/> &#8211; Minha mensagem final, dirigida aos jovens, aos leigos e a toda a FS, &eacute; simples, direta e profundamente evang&eacute;lica: sede santos, permanecei santos!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(ANS &ndash; Goma)&nbsp;&ndash; Durante sua visita can&ocirc;nica &agrave; obra salesiana &lsquo;Don Bosco Ngangi&rsquo;, em Goma, o P. 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