{"id":2030723,"date":"2026-04-09T22:00:00","date_gmt":"2026-04-09T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-04-09T22:00:00","modified_gmt":"2026-04-09T22:00:00","slug":"a-caminho-de-jerusalem-via-emaus-esperanca-perdida-fe-reencontrada-por-meio-da-caridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/a-caminho-de-jerusalem-via-emaus-esperanca-perdida-fe-reencontrada-por-meio-da-caridade\/","title":{"rendered":"A caminho de Jerusal\u00e9m, via Ema\u00fas. Esperan\u00e7a perdida. F\u00e9 reencontrada por meio da Caridade"},"content":{"rendered":"<p>A MENSAGEM DO REITOR-MOR,&nbsp;<em>Pe. F&aacute;bio Attard<\/em><\/p>\n<p>Pode-se dizer que a narrativa acerca dos dois disc&iacute;pulos &eacute; uma experi&ecirc;ncia de transforma&ccedil;&atilde;o que passa da cegueira espiritual ao reconhecimento do Ressuscitado. Vou comentar tr&ecirc;s movimentos que, de algum modo, t&ecirc;m algo de importante a nos dizer tamb&eacute;m a n&oacute;s, hoje.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>A compreens&atilde;o humana sozinha deixa-nos desarmados<\/strong><\/p>\n<p>Os disc&iacute;pulos a caminho de Ema&uacute;s representam o limite da interpreta&ccedil;&atilde;o puramente humana. Conheciam os&nbsp;<em>acontecimentos<\/em>&nbsp;&ndash; a crucifix&atilde;o, as vozes sobre o sepulcro vazio &ndash; mas simplesmente como informa&ccedil;&atilde;o. Fatos que representavam s&oacute; um &ldquo;sepulcro&rdquo;, uma &ldquo;fal&ecirc;ncia&rdquo;, um &ldquo;beco sem sa&iacute;da&rdquo;. &ldquo;Esperavam que fosse ele a redimir Israel&rdquo; (Lc 24,21). Tudo reduzido a coisas pertencentes ao tempo passado. A Esperan&ccedil;a j&aacute; estava morta.<\/p>\n<p>Este sentimento fala de modo intenso do nosso momento. Vivemos rodeados de informa&ccedil;&otilde;es, mas com frequ&ecirc;ncia encalhados na insensatez. Os ciclos das not&iacute;cias, os traumas, as contradi&ccedil;&otilde;es do nosso tempo&#8230; &ndash; se lidos somente atrav&eacute;s da an&aacute;lise humana, levam ao desespero. A conversa dos disc&iacute;pulos reflete a nossa: os fatos sem significado tornam-se peso em vez de luz. Aquilo que pensavam estava fechado na gaveta das pr&oacute;prias categorias humanas, e estas sozinhas n&atilde;o podem chegar &agrave; fronteira da Ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;Quantas vezes tamb&eacute;m n&oacute;s procuramos &ldquo;resolver&rdquo; a F&eacute; somente com a raz&atilde;o, com a an&aacute;lise social, com a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas institucionais! &Eacute; um esfor&ccedil;o a que falta o ar divino, um esfor&ccedil;o que perde o oxig&ecirc;nio espiritual.<\/p>\n<p><strong>Jesus como companheiro: o alargamento prof&eacute;tico<\/strong><\/p>\n<p>O que impressiona &eacute; que Jesus, pondo-se a caminho com eles, n&atilde;o se revela imediatamente. Ao inv&eacute;s, primeiro ouve (&ldquo;Por que falais de tudo isso?&rdquo;). S&oacute; depois &eacute; que ensina. N&atilde;o subvaloriza a sua dor, mas enfrenta-a com mui paciente pedagogia: &ldquo;Come&ccedil;ando por Mois&eacute;s e por todos os Profetas, explicou-lhes aquilo que havia sido dito de Si em todas as Escrituras&rdquo; (Lc 24,27).<\/p>\n<p>Jesus n&atilde;o imp&otilde;e a compreens&atilde;o, mesmo que seja aquela de que eles precisam. Jesus&nbsp;<em>convida a ampliar a sua compreens&atilde;o. Convida-os bondosamente a sair do labirinto<\/em>. O arrazoado dos disc&iacute;pulos, o Messias que imaginavam&#8230;: tudo isso &eacute; ampliado e aprofundado atrav&eacute;s das Escrituras. A Mensagem dos Profetas &eacute; um texto vivo, n&atilde;o morto.<\/p>\n<p>O pormenor mais belo est&aacute; no fato de que, apesar de o escutarem com aten&ccedil;&atilde;o, ainda O n&atilde;o reconheceram&nbsp;<em>enquanto ensinava<\/em>. O reconhecimento s&oacute; vem depois. Com sua Esperan&ccedil;a ainda vacilante, oferecem ao querido Companheiro a sua hospitalidade (o partir do p&atilde;o).<\/p>\n<p>Aqui temos uma bela li&ccedil;&atilde;o para n&oacute;s hoje. N&atilde;o se trata apenas de transmitir a doutrina, por muito nobre e urgente que seja. &Eacute; preciso que as pessoas sejam ajudadas, com calma e paci&ecirc;ncia, a ver: a sua pr&oacute;pria vida, as suas perguntas, as suas esperan&ccedil;as&nbsp;<em>em&nbsp;<\/em>mais ampla compreens&atilde;o da mensagem de Jesus. Tal escuta pede comunidade: nutre-se de comunh&atilde;o. &Eacute; um passo para a verdadeira compreens&atilde;o, isto &eacute;: para quando se abrem &ldquo;os olhos do cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Encontr&aacute;-Lo no partir o p&atilde;o: olhos abertos sem ver<\/strong><\/p>\n<p>O paradoxo &eacute; surpreendente: &ldquo;Os seus olhos se abriram e O reconheceram; mas Ele desapareceu da sua vista&rdquo; (Lc 24,31). Encontram-se com Ele mesmo&nbsp;<em>sem<\/em>&nbsp;O ver, mas reconhecem-nO na a&ccedil;&atilde;o da hospitalidade, da comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>Este &eacute; o ponto mais profundo. A Eucaristia n&atilde;o &eacute; s&oacute; uma recorda&ccedil;&atilde;o ritual, mas &eacute; a realidade cont&iacute;nua da presen&ccedil;a de Cristo atrav&eacute;s do dom e da partilha de Si. Os dois disc&iacute;pulos &ldquo;agora&rdquo; n&atilde;o precisam de uma cont&iacute;nua prova vis&iacute;vel. Experimentaram algo de mais profundo: a participa&ccedil;&atilde;o da Sua doa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Com estes tr&ecirc;s passos gostaria de partilhar algumas luzes para o nosso caminho.<\/p>\n<p><strong>a. Sair de uma F&eacute; escrava do imediato e das apar&ecirc;ncias.<\/strong><\/p>\n<p>Tamb&eacute;m hoje corremos o risco de viver a F&eacute; em Jesus com a mesma mentalidade dominante do c&aacute;lculo: &lsquo;queria ver&rsquo;, &lsquo;estar certo&rsquo;. &lsquo;Aceito, sim, mas com algumas condi&ccedil;&otilde;es&rsquo;&#8230;<\/p>\n<p>Jesus, ao inv&eacute;s, Companheiro de Ema&uacute;s, convida-nos de modo diferente: come&ccedil;a com a proximidade, enriquecida pela escuta e que leva &agrave; comunh&atilde;o. Este caminho &eacute; marcado pela paci&ecirc;ncia e pela caridade. Jesus, gradualmente, pede-nos que desmantelemos aquelas estruturas de medo e de defesa que nos tornam prisioneiros de n&oacute;s mesmos. O Jesus que descobrimos por meio do ensinamento convida-nos a avan&ccedil;ar:&nbsp;mas&nbsp;<em>aceitando e assumindo o seu modelo de autodoa&ccedil;&atilde;o<\/em>. Ele pede-nos que renunciemos &agrave;s falsas imagens, que saiamos das armadilhas de depend&ecirc;ncias de todo o tipo, oferecendo-Se a Si mesmo como exemplo: oferecendo-Se a Si mesmo at&eacute; &agrave; Cruz. Assim, fixando os olhos nEle Morto e Ressuscitado, reconhecemos sem medo as nossas &ldquo;pris&otilde;es&rdquo; e as ultrapassamos com coragem.<\/p>\n<p><strong>b. A viv&ecirc;ncia aut&ecirc;ntica da F&eacute; se reconhece atrav&eacute;s da hospitalidade.<\/strong><\/p>\n<p>Os dois disc&iacute;pulos podiam resistir &agrave;s palavras de Jesus. Ao inv&eacute;s, n&atilde;o! Deixaram-se desafiar. N&atilde;o esque&ccedil;amos que haviam perdido toda a Esperan&ccedil;a. Talvez tamb&eacute;m a F&eacute;. Contudo, n&atilde;o haviam perdido a capacidade do acolhimento, da hospitalidade: eram ainda disc&iacute;pulos capazes de viver a Caridade! Aqui, neste ponto e s&oacute; neste momento, se d&aacute; a reviravolta: reconheceram-nO&nbsp;ao&nbsp;<em>dar-Lhe hospitalidade<\/em>. Hospedando o Companheiro, Jesus entregou-lhes tudo, entregou-Se a Si mesmo. Pediam que Jesus ficasse &ldquo;com eles&rdquo;. Ao inv&eacute;s, Jesus pagou-lhes permanecendo &ldquo;neles&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>c. Eucaristia: cume e in&iacute;cio<\/strong>.<\/p>\n<p>O partir do p&atilde;o n&atilde;o &eacute; o fim da hist&oacute;ria. &Eacute;, antes, o an&uacute;ncio da sua aut&ecirc;ntica hist&oacute;ria. Embora fosse noite, os dois disc&iacute;pulos regressam imediatamente a Jerusal&eacute;m, &agrave; comunidade, para testemunhar. Agora a escurid&atilde;o da noite n&atilde;o tem poder sobre a luz que enche o cora&ccedil;&atilde;o do Crente. A verdadeira for&ccedil;a da Eucaristia &eacute; que impele para o exterior, para o Outro, para o Alto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A MENSAGEM DO REITOR-MOR,&nbsp;Pe. 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