{"id":2031069,"date":"2026-05-12T22:00:00","date_gmt":"2026-05-12T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-05-12T22:00:00","modified_gmt":"2026-05-12T22:00:00","slug":"maria-exemplo-de-um-coracao-aberto-e-disponivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/maria-exemplo-de-um-coracao-aberto-e-disponivel\/","title":{"rendered":"Maria, exemplo de um cora\u00e7\u00e3o aberto e dispon\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>A MENSAGEM DO REITOR-MOR, <em>Pe. F&aacute;bio Attard<\/em><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>Habitados por Deus, como Maria, vemo-nos a n&oacute;s mesmos como chamados e convidados<\/p>\n<p><em>Maria p&ocirc;s-se a caminho e dirigiu-se a toda a pressa <\/em>(<em>Lc<\/em> 1,39). Poucas palavras, mas cheias de significado. Nestes gestos simples e decisivos revela-se a estrutura interior de um cora&ccedil;&atilde;o que deixou que Deus o habitasse de verdade. A partida de Maria n&atilde;o &eacute; uma partida qualquer: &eacute; a resposta de uma vida recolhida, de uma alma que, por ter aprendido a ouvir e a discernir, chega depois a responder. Maria viveu a experi&ecirc;ncia da anuncia&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se fica a matutar naquilo que acaba de lhe acontecer. Maria n&atilde;o se fecha na intimidade da pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia, extraordin&aacute;ria e profunda, guardando-a para si. Pelo contr&aacute;rio, deixa-se plasmar e guiar pela Palavra. E p&otilde;e-se a caminho ao encontro do outro.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O movimento de Maria &eacute; um movimento espiritual: acolheu o Verbo; e, agora, &eacute; o Verbo que habita nela, que a orienta para o pr&oacute;ximo. Como consequ&ecirc;ncia de se sentir amado por Deus, quem ama verdadeiramente esquece-se de si mesmo e p&otilde;e-se ao servi&ccedil;o do pr&oacute;ximo. Maria ensina-nos que a disponibilidade do cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma virtude acess&oacute;ria: &eacute; um modo de como o amor de Deus toma forma na vida de quem acredita n&rsquo;Ele.<\/p>\n<p><strong>Disponibilidade: sair da vis&atilde;o curta<\/strong><\/p>\n<p>Habitados por Deus, vemo-nos, como Maria, a n&oacute;s mesmos como chamados e convidados. A a&ccedil;&atilde;o de Maria contrasta com uma vis&atilde;o da vida constru&iacute;da sobre o &ldquo;eu&rdquo; n&atilde;o dispon&iacute;vel, fechado em si mesmo. Quando decidimos apenas observar o mundo sob um estreito ponto de observa&ccedil;&atilde;o, corremos o risco de chegar &agrave; conclus&atilde;o de que a nossa opini&atilde;o cont&eacute;m a verdade total. &Eacute; a tenta&ccedil;&atilde;o de sempre: reduzir a realidade &agrave;quilo que n&oacute;s j&aacute; vimos, medimos, program&aacute;mos. O nosso modo de pensar e de ver torna-se a medida &uacute;nica e exclusiva.<\/p>\n<p>Maria mostra-nos que a abertura do cora&ccedil;&atilde;o &eacute; antes de tudo um esvaziamento do pr&oacute;prio ego&iacute;smo. A verdadeira disponibilidade do cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma decis&atilde;o humana. &Eacute;, antes de tudo, uma gra&ccedil;a que se deve pedir, livremente recebida, guardada e exercitada todos os dias. N&atilde;o se caminha ao encontro do outro em sentido pleno, livre e alegre, se n&atilde;o deixarmos que Deus esteja vivo no cora&ccedil;&atilde;o; que seja Ele a tornar-nos abertos, esbugalhando-nos os olhos sobre aquilo que supera a nossa pequenina e m&iacute;sera l&oacute;gica humana.<\/p>\n<p><strong>Esvaziar-se &eacute; a forma primeira do amor<\/strong><\/p>\n<p>Numa cultura como a nossa, h&aacute; o risco subtil da autorreferencialidade: o de acreditar que a pr&oacute;pria identidade se constr&oacute;i olhando para si mesmo, como num espelho cada vez mais pequeno. Maria d&aacute;-nos testemunho de outra maneira de olhar a vida: reposiciona toda a sua vida sobre a presen&ccedil;a da Palavra no seu cora&ccedil;&atilde;o e, depois, sobre a necessidade de Isabel. Uma escolha que coloca a necessidade do pr&oacute;ximo como chamamento e fruto da rela&ccedil;&atilde;o com Deus. &Eacute; por isso que parte apressadamente ao encontro de quem est&aacute; a precisar.<\/p>\n<p>A verdadeira disponibilidade tem nas suas ra&iacute;zes a coragem de se colocar em discuss&atilde;o, de renunciar a si mesmo, mesmo quando parece uma perda. N&atilde;o se trata de generosidade exibida, mas de liberdade interior, de liberdade que nasce de ter descoberto que s&oacute; posso ser eu mesmo se eu me der ao outro radicalmente. Aquilo do cora&ccedil;&atilde;o aberto e dispon&iacute;vel n&atilde;o &eacute; uma conquista e um trof&eacute;u, mas abandono &agrave; Vontade do Pai.<\/p>\n<p><strong>N&atilde;o um gesto de bondade, mas uma obedi&ecirc;ncia a Deus que habita o cora&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Maria n&atilde;o vai &agrave; casa de Isabel s&oacute; porque humanamente cr&ecirc; que a prima idosa precisa d&rsquo;Ela. A visita &agrave; prima n&atilde;o &eacute; gesto de bondade: &eacute; uma presen&ccedil;a do Filho, que no seio est&aacute; a conformar consigo a sua M&atilde;e. O caminho de Maria ao encontro de Isabel &eacute; a miss&atilde;o mesma de Deus que toma a forma de um caminho ao encontro do Outro.<\/p>\n<p>A visita de Maria &eacute; miss&atilde;o que &eacute; fruto da vinda do Filho n&rsquo;Ela. Porque quando de verdade Jesus se torna parte da nossa vida, tudo aquilo que somos e fazemos, brota desta nascente &uacute;nica. Do encontro pessoal com Cristo nasce a miss&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Disponibilidade incondicional: para al&eacute;m dos resultados<\/strong><\/p>\n<p>Perante esta escolha livre e generosa de Maria, o nosso desejo de A imitar &eacute; marcado por uma tenta&ccedil;&atilde;o muito subtil, mas sempre presente: querer ver que tipo de resultados t&ecirc;m as nossas escolhas. Maria, que logo se p&otilde;e a caminho, comunica-nos a decis&atilde;o de um cora&ccedil;&atilde;o que j&aacute; est&aacute; repleto; e n&atilde;o busca seguran&ccedil;as e certezas fora de si. Porque a medida da miss&atilde;o e do seu sucesso est&aacute; na viva rela&ccedil;&atilde;o com a Palavra que as habita.<\/p>\n<p><strong>Maria, &iacute;cone do cora&ccedil;&atilde;o livre &ndash; Palavra, F&eacute;, Caridade<\/strong><\/p>\n<p>O Card. Martini SJ oferece-nos uma reflex&atilde;o breve, mas densa e essencial: a&nbsp;<strong>Palavra<\/strong>&nbsp;&eacute; a semente, a&nbsp;<strong>F&eacute;<\/strong>&nbsp;&eacute; o seio que acolhe, a&nbsp;<strong>Caridade<\/strong>&nbsp;&eacute; o fruto que nasce. Maria &eacute; a mulher que viveu esta din&acirc;mica em sua plenitude: com humildade acolhe a&nbsp;<strong>Palavra<\/strong>, com&nbsp;<strong>F&eacute;<\/strong>&nbsp;sai &agrave;s pressas, com <strong>Caridade<\/strong>&nbsp;se d&aacute;. O seu &ldquo;dirigir-se apressadamente&rdquo; comunica aquele gesto de Caridade que deixa transparecer um cora&ccedil;&atilde;o livre e libertador, iluminado pela Palavra que Lhe sustenta a F&eacute;.<\/p>\n<p>Um cora&ccedil;&atilde;o aberto e dispon&iacute;vel n&atilde;o &eacute; um cora&ccedil;&atilde;o sentimentalmente bom: &eacute; um cora&ccedil;&atilde;o que aprendeu a estar em ten&ccedil;&atilde;o entre o an&uacute;ncio &#8211; recebido e assumido &#8211; e o irm&atilde;o e a irm&atilde; que aguardam, por entre a gra&ccedil;a interior e o caminho a percorrer, por entre o mist&eacute;rio de Deus e a consist&ecirc;ncia da necessidade humana.<\/p>\n<p>Maria ensina-nos que n&atilde;o &eacute; preciso ter compreendido tudo para partir&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A MENSAGEM DO REITOR-MOR, Pe. 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