{"id":2031387,"date":"2026-06-11T22:00:00","date_gmt":"2026-06-11T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-06-11T22:00:00","modified_gmt":"2026-06-11T22:00:00","slug":"estamos-tambem-nos-entre-os-72","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/estamos-tambem-nos-entre-os-72\/","title":{"rendered":"Estamos tamb\u00e9m n\u00f3s entre os 72?"},"content":{"rendered":"<p>A MENSAGEM DO REITOR-MOR, <em>P. F&aacute;bio Attard<\/em><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&oacute;s somos mandados. Os nossos locais de trabalho, bairros, fam&iacute;lias e amizades, s&atilde;o as &ldquo;cidades e lugares&rdquo; aonde Cristo quer ir, e l&aacute; manda-nos &agrave; sua frente a preparar-Lhe o caminho.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No evangelho de Lucas, no in&iacute;cio do cap&iacute;tulo 10 (vers&iacute;culos 1-19), Jesus alarga a sua miss&atilde;o para al&eacute;m dos Doze, enviando 72 Disc&iacute;pulos &agrave; sua frente a preparar o caminho. &Eacute; o momento decisivo: a miss&atilde;o j&aacute; n&atilde;o &eacute; reservada a um pequeno c&iacute;rculo apost&oacute;lico: alarga-se a um grupo mais amplo de seguidores. A implica&ccedil;&atilde;o &eacute; clara: cada disc&iacute;pulo &eacute; mission&aacute;rio, mandado a um seu recanto particular do mundo, para ali tornar presente Cristo.<\/p>\n<p>Para os Crist&atilde;os de hoje, que trabalhamos em escrit&oacute;rios ou hospitais, criamos filhos em casa ou servimos nas escolas, gerimos empresas ou cuidamos de idosos, este trecho fala diretamente &agrave; nossa voca&ccedil;&atilde;o batismal. Tamb&eacute;m n&oacute;s somos enviados. Os nossos locais de trabalho, bairros, fam&iacute;lias e amizades s&atilde;o as &ldquo;cidades e lugares&rdquo; aonde Cristo quer ir; e envia-nos &agrave; sua frente para preparar-Lhe o caminho.<\/p>\n<p>As instru&ccedil;&otilde;es que Jesus d&aacute; n&atilde;o s&atilde;o somente para os &ldquo;profissionais&rdquo; religiosos, mas para todos aqueles que t&ecirc;m o seu nome. S&atilde;o instru&ccedil;&otilde;es que revelam como deve haver testemunho crist&atilde;o em qualquer contexto: n&atilde;o levar tantas coisas, mas a paz; curar quem est&aacute; ferido; anunciar a proximidade do Reino atrav&eacute;s da realidade concreta de nossas vidas.<\/p>\n<p>Numa cultura que com frequ&ecirc;ncia relega a F&eacute; para uma convic&ccedil;&atilde;o pessoal ou culto dominical, Lucas 10 reivindica toda a vida como territ&oacute;rio mission&aacute;rio. Estas tr&ecirc;s reflex&otilde;es mostram como as palavras de Jesus, aos 72, iluminam o que significa viver como disc&iacute;pulos enviados &agrave;s circunst&acirc;ncias normais da vida quotidiana.<\/p>\n<p><strong>Viajar com pouca bagagem: Libertos do Peso da Autossufici&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o leveis bolsa, nem alforje, nem sand&aacute;lias&rdquo;. Jesus envia os seus disc&iacute;pulos deliberadamente vulner&aacute;veis, radicalmente dependentes de Deus e da hospitalidade dos outros. Esta instru&ccedil;&atilde;o desafia os pressupostos fundamentais da vida contempor&acirc;nea: que a seguran&ccedil;a derive da acumula&ccedil;&atilde;o, que o valor provenha da autossufici&ecirc;ncia e que devamos ter sempre tudo sob controlo. Para os crist&atilde;os que enfrentam a vida normal &ndash; profiss&atilde;o, responsabilidades familiares, press&otilde;es econ&ocirc;micas &ndash; este apelo &agrave; pobreza evang&eacute;lica n&atilde;o significa abandonar uma planifica&ccedil;&atilde;o prudente ou uma gest&atilde;o respons&aacute;vel. Apresenta, antes, uma pergunta espiritual mais profunda: Em que &eacute; que n&oacute;s confiamos de verdade?<\/p>\n<p>Vivemos numa cultura que nos ensina a confiar nas nossas capacidades de gerir todas as eventualidades. Amontoamos certificados, credenciais, contatos &ndash; fabricando &ldquo;bolsas&rdquo; cada vez maiores. E cansamo-nos, buscando manter a ilus&atilde;o da autossufici&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A instru&ccedil;&atilde;o de Jesus liberta-nos desse peso. Viajar com pouca bagagem significa reconhecer a nossa depend&ecirc;ncia fundamental da provid&ecirc;ncia de Deus, da comunidade dos credentes, da Gra&ccedil;a, que n&oacute;s n&atilde;o podemos fabricar. Significa estar dispostos a reconhecer-nos limitados quando n&atilde;o temos a resposta, quando precisamos de ajuda, quando os nossos planos &#8211; cuidadosamente elaborados &#8211; caem por terra; e temos de confiar que Deus providenciar&aacute; um outro caminho.<\/p>\n<p>Em termos pr&aacute;ticos: admitir que n&atilde;o somos perfeitos e que manter uma imagem perfeita acaba por nos tornar escravos; ser honestos com os filhos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s nossas dificuldades; escolher a simplicidade em vez do aparato, a presen&ccedil;a em vez da produtividade, a confian&ccedil;a em vez da ansiedade.<\/p>\n<p>N&atilde;o somos chamados a ser crist&atilde;os que parecem ter resolvido tudo. Somos convidados a descobrir que Cristo &eacute; suficiente, que a sua Gra&ccedil;a basta de fato, que a depend&ecirc;ncia de Deus &eacute; liberdade pura.<\/p>\n<p><strong>Antes de tudo, Paz: Presen&ccedil;a num Mundo Fragmentado<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: &laquo;A paz esteja nesta casa&raquo;&rdquo;. Antes de qualquer atividade ou produtividade, haja antes de tudo, paz. Vivemos vidas fragmentadas, presentes a meias nas conversas. Jesus manda-nos levar paz. Aten&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o &eacute; a paz superficial fruto da ilus&atilde;o de ter tudo sob controlo, mas a paz verdadeira, profunda, que prov&eacute;m de sabermos que somos sustentados por Deus. Mesmo no caos.<\/p>\n<p>Esta paz &eacute; testemunho contracultural. Quando os colegas est&atilde;o estressados, n&oacute;s continuamos bem, mostrando confian&ccedil;a. Quando os bairros est&atilde;o ansiosos, n&oacute;s oferecemos presen&ccedil;a calma: n&atilde;o por ingenuidade, mas por ter Esperan&ccedil;a. <em>Pense nas casas em que diariamente entra<\/em>: o local de trabalho, a sua casa, a reuni&atilde;o, a escola dos filhos, o bairro&#8230; Levar paz (a tais lugares) poderia significar: n&atilde;o participar da bisbilhotice sobre o trabalho e falar sempre com respeito; criar uma atmosfera dom&eacute;stica onde as pessoas possam respirar e onde haja espa&ccedil;o para o sil&ecirc;ncio; ser o vizinho que escuta sem julgar.<\/p>\n<p>Esta paz torna-se particularmente poderosa e significativa para quem est&aacute; a lutar. Quantas as Pessoas que carregam fardos invis&iacute;veis, lutas de sa&uacute;de mental, preocupa&ccedil;&atilde;o financeira, crises relacionais, desesperan&ccedil;a existencial. N&atilde;o precisam de solu&ccedil;&otilde;es: precisam de algu&eacute;m que possa estar com elas na dor, sem serem desestabilizadas; que irradie uma paz que lhes sugira terreno s&oacute;lido por sob os p&eacute;s.<\/p>\n<p>O nosso testemunho crist&atilde;o mostra sobretudo quem somos: pessoas que encontraram aquela paz que o mundo n&atilde;o pode dar. Nem tirar!<\/p>\n<p><strong>Cura e Proclama&ccedil;&atilde;o: Tornar Vis&iacute;vel o Reino<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Curai os doentes que nela existem; dizei-lhes: &lsquo;O Reino de Deus j&aacute; est&aacute; perto de v&oacute;s&rsquo;&rdquo;. Palavra e a&ccedil;&atilde;o s&atilde;o insepar&aacute;veis. Isto significa reconhecer que &agrave; nossa volta existem feridas, e que a elas se responde com atos concretos de empatia; reconhecer o sentido do vazio e da falta de sentido que alguns t&ecirc;m, da competi&ccedil;&atilde;o impiedosa, do <em>burnout<\/em> (exaust&atilde;o total) de outros, oferecendo-lhes o dom de uma presen&ccedil;a que sabe escutar sem julgar; estar pr&oacute;ximo de quem se sente isolado e dos idosos, com pequenos gestos, simples, mas que deixam marca em cora&ccedil;&otilde;es que sofrem.<\/p>\n<p>O Reino de Deus torna-se pr&oacute;ximo quando as pessoas podem dizer: &ldquo;Encontrei algo de diferente aqui. Fui acolhido, valorizado, restabelecido&rdquo;.<\/p>\n<p>Foi assim que cresceu a Igreja primitiva, n&atilde;o tanto por meio de prega&ccedil;&otilde;es eloquentes, mas por meio de Comunidades que viviam de forma t&atilde;o diferente que as Pessoas eram levadas a perguntar: &ldquo;O que tendes V&oacute;s que n&oacute;s n&atilde;o temos? Por que &eacute; que amais tanto? De onde vem esta vossa Esperan&ccedil;a?&rdquo;.<\/p>\n<p>As nossas vidas tornam-se proclama&ccedil;&atilde;o. E quando as pessoas perguntam, estamos prontos a indicar a fonte: &ldquo;O Reino de Deus est&aacute; pr&oacute;ximo de v&oacute;s. O amor que v&oacute;s sentistes n&atilde;o veio s&oacute; de n&oacute;s: vem de Cristo, que fez novas todas as coisas e que vos convida a esta nova realidade&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A MENSAGEM DO REITOR-MOR, P. F&aacute;bio Attard&nbsp; Tamb&eacute;m n&oacute;s somos mandados. Os nossos locais de trabalho, bairros, fam&iacute;lias e amizades, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2028341,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[793],"tags":[],"class_list":["post-2031387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reitor-mor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2031387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2031387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2031387\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2028341"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2031387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2031387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2031387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}