{"id":2031405,"date":"2026-06-14T22:00:00","date_gmt":"2026-06-14T22:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2026-06-14T22:00:00","modified_gmt":"2026-06-14T22:00:00","slug":"alemanha-local-de-memoria-para-o-novo-beato-e-martir-salesiano-p-franciszek-miska","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoans.news\/pt-pt\/alemanha-local-de-memoria-para-o-novo-beato-e-martir-salesiano-p-franciszek-miska\/","title":{"rendered":"Alemanha \u2013 Local de mem\u00f3ria para o novo Beato e M\u00e1rtir salesiano P. Franciszek Mi\u015bka"},"content":{"rendered":"<p><strong>(ANS <\/strong><strong>&ndash;<\/strong><strong> Munique) <\/strong>&ndash; Para a imensa maioria das v&iacute;timas da loucura nazista, n&atilde;o restaram vest&iacute;gios mortais. As cinzas de in&uacute;meras pessoas assassinadas e cremadas foram descartadas de forma desumana: enterradas em florestas, lan&ccedil;adas em terrenos abertos, rios e lagoas ou at&eacute; utilizadas como fertilizante em campos e pastagens. Por isso, n&atilde;o constam restos mortais ou um local espec&iacute;fico para lembrar o rec&eacute;m-beatificado P. Jan \u015awierc e sete de seus coirm&atilde;os m&aacute;rtires, mortos no campo de concentra&ccedil;&atilde;o de Auschwitz entre junho de 1941 e setembro de 1942.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o &eacute; o P. Franciszek Mi\u015bka (5 de dezembro de 1898 &ndash; 30 de maio de 1942). Diferentemente dos outros Oito M&aacute;rtires do mesmo grupo, ele foi inicialmente preso na Casa Salesiana de L\u0105d, transformada pelos nazistas em pris&atilde;o para sacerdotes, da qual havia sido Diretor. Posteriormente, foi deportado para o campo de concentra&ccedil;&atilde;o de Dachau, localizado a cerca de 30 quil&ocirc;metros ao norte de Munique, onde chegou em 30 de outubro de 1941. Poucos meses depois, em 30 de maio de 1942, sucumbiu &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es&#8230; desumanas de deten&ccedil;&atilde;o e &agrave;s torturas infligidas pelos guardas.<\/p>\n<p> <strong>Seu nome encontra-se hoje num dos pain&eacute;is de vidro do Bosque Memorial I, no complexo do antigo campo de concentra&ccedil;&atilde;o, localizado no cemit&eacute;rio de Perlacher Forst<\/strong>, ao longo da Stadelheimer Stra&szlig;e, no bairro de Obergiesing, em Munique.<\/p>\n<p>Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, no cremat&oacute;rio do cemit&eacute;rio Ostfriedhof, em Munique, foram descobertas cerca de 4 mil urnas contendo cinzas de in&uacute;meras v&iacute;timas do nazismo. Tratava-se dos restos mortais de membros de todos os grupos de v&iacute;timas: judeus, sinti e roma, Testemunhas de Jeov&aacute;, homossexuais, pessoas consideradas &ldquo;associais&rdquo; e &ldquo;criminosas&rdquo;, Opositores pol&iacute;ticos e Clero Cat&oacute;lico. Mais de tr&ecirc;s mil urnas continham cinzas de v&iacute;timas do campo de concentra&ccedil;&atilde;o de Dachau que morreram entre 1933 e 1942, cujos corpos foram posteriormente cremados. As demais urnas reuniam restos de v&iacute;timas provenientes de outros campos de concentra&ccedil;&atilde;o e centros de exterm&iacute;nio. Mais de duas mil das v&iacute;timas de Dachau eram cidad&atilde;os poloneses, que, com 40.700 prisioneiros, constitu&iacute;am o maior grupo de prisioneiros do campo de concentra&ccedil;&atilde;o. Entre eles estavam principalmente intelectuais, funcion&aacute;rios p&uacute;blicos, membros do clero e outros integrantes da elite social considerados opositores do regime nazista.<\/p>\n<p> Em 1950, a cidade de Munique instituiu um bosque memorial no cemit&eacute;rio de Perlacher Forst em mem&oacute;ria dessas v&iacute;timas do terror nazista. Sob 44 l&aacute;pides, encontram-se as urnas de 3.996 v&iacute;timas de campos de concentra&ccedil;&atilde;o e de programas de eutan&aacute;sia &ndash; cujos nomes s&atilde;o em grande parte conhecidos &ndash; organizadas em pequenas c&acirc;maras funer&aacute;rias. At&eacute; poucos anos atr&aacute;s, apenas uma pedra discreta recordava todas essas v&iacute;timas.<\/p>\n<p> No ver&atilde;o de 2021, o Bosque Memorial foi totalmente reestruturado. Ao centro, encontra-se uma fonte com a inscri&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p><strong>&ldquo;Em honra dos mortos, para advert&ecirc;ncia dos vivos&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p> Ali se encontram doze pain&eacute;is de vidro com os nomes das 3.972 v&iacute;timas identificadas, organizadas segundo seus 17 pa&iacute;ses de origem. Trata-se de um importante gesto para resgatar essas v&iacute;timas do esquecimento. Ao tornar p&uacute;blicos seus nomes, busca-se tamb&eacute;m restituir sua dignidade, uma vez que uma das pr&aacute;ticas degradantes dos campos de concentra&ccedil;&atilde;o era justamente a supress&atilde;o da identidade dos prisioneiros, <strong>reduzidos a n&uacute;meros<\/strong>.<\/p>\n<p>Por tr&aacute;s de cada nome h&aacute; uma biografia e um destino pessoal; nomear a v&iacute;tima significa resgat&aacute;-la do anonimato e permitir que sua hist&oacute;ria seja lembrada.<\/p>\n<p> A reestrutura&ccedil;&atilde;o do Bosque Memorial tamb&eacute;m revelou que entre as urnas ali depositadas est&atilde;o os restos mortais de 216 eclesi&aacute;sticos poloneses, muitos dos quais j&aacute; foram beatificados pela Igreja Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p> O campo de concentra&ccedil;&atilde;o de Dachau, com o chamado &ldquo;Bloco dos Sacerdotes&rdquo;, foi um dos principais centros de persegui&ccedil;&atilde;o ao clero. Ao todo, cerca de 2.800 entre bispos, sacerdotes, religiosos e membros do clero de outras confiss&otilde;es foram encarcerados ali, provenientes de toda a Europa ocupada. O maior grupo, com 1.780 pessoas, era formado por poloneses, dos quais cerca de metade &ndash; 868 &ndash; morreu em Dachau.<\/p>\n<p>A lista das v&iacute;timas polonesas inclui tamb&eacute;m o nome &ldquo;MI\u015aKA Franciszek 1898&ndash;1942&rdquo;. Curiosamente, ao contr&aacute;rio de outros sacerdotes, este nome n&atilde;o est&aacute; acompanhado do sinal &ldquo;x&rdquo;, que, segundo a placa informativa na entrada do bosque, identifica os 216 eclesi&aacute;sticos poloneses.<\/p>\n<p> Uma investiga&ccedil;&atilde;o junto &agrave; administra&ccedil;&atilde;o do cemit&eacute;rio forneceu a seguinte informa&ccedil;&atilde;o:<br \/> &ldquo;Segundo nossos arquivos, sob o n&uacute;mero de s&eacute;rie 35, urna 669: Franz Mischka, nascido em 5 de dezembro de 1898 em Tannendorf, falecido em 30 de maio de 1942 em Dachau&rdquo;.<\/p>\n<p> &ldquo;Mischka&rdquo; &eacute; a grafia germanizada do sobrenome polon&ecirc;s &ldquo;Mi\u015bka&rdquo;. A biografia do P. Mi\u015bka indica seu nascimento em \u015awierczyniec. A Positio esclarece que &ldquo;Tannendorf&rdquo; &eacute; a tradu&ccedil;&atilde;o alem&atilde; do top&ocirc;nimo polon&ecirc;s \u015awierczyniec. Assim, os registros de Dachau utilizavam ora o nome alem&atilde;o, ora o nome polon&ecirc;s de seu local de nascimento. Tudo indica, portanto, que os restos mortais do rec&eacute;m-beatificado P. Franciszek Mi\u015bka se encontrem no local indicado no Bosque Memorial I, no cemit&eacute;rio de Perlacher Forst, em Munique.<\/p>\n<p>Franciszek Mi\u015bka passa a ser a oitava pessoa beatificada cujos restos mortais se encontram no Bosque Memorial I. Entre os outros sete est&aacute; o Beato Micha\u0142 Wo\u017aniak (1875&ndash;1942), bem conhecido da Fam&iacute;lia Salesiana na Pol&ocirc;nia. Ex-aluno de Dom Bosco, frequentou a escola de Valdocco entre 1897 e 1900, tornando-se posteriormente sacerdote diocesano e, como p&aacute;roco de Kutno, fundou um orat&oacute;rio juvenil inspirado no esp&iacute;rito de Dom Bosco.<\/p>\n<p>Com a beatifica&ccedil;&atilde;o do P. Franciszek Mi\u015bka, o n&uacute;mero de m&aacute;rtires beatificados ou canonizados oficialmente ligados a Dachau chega a 63. O &uacute;nico santo canonizado entre eles &eacute; o carmelita holand&ecirc;s Tito Brandsma (1887&ndash;1942).<\/p>\n<p> Os martirol&oacute;gios de diversos pa&iacute;ses registram cerca de 300 outros ex-prisioneiros de Dachau que, segundo especialistas, tamb&eacute;m podem ser considerados m&aacute;rtires. Entre eles est&aacute; o salesiano alem&atilde;o P. Theodor Hartz (1887&ndash;1942).<\/p>\n<p> Desde 2017, a Arquidiocese de Munique e Frisinga celebra a mem&oacute;ria dos m&aacute;rtires de Dachau no dia 12 de junho. A data foi escolhida por coincidir com a comemora&ccedil;&atilde;o dos 108 m&aacute;rtires poloneses beatificados por S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II em Vars&oacute;via em 13 de junho de 1999.<\/p>\n<p>A partir deste ano (2026), portanto, a Igreja local de Munique tamb&eacute;m recorda o m&aacute;rtir salesiano P. Franciszek Mi\u015bka.<\/p>\n<p>Ao todo, 32 Salesianos de Dom Bosco ficaram presos em Dachau: dois alem&atilde;es, um belga, um austr&iacute;aco, um tcheco (o futuro cardeal &Scaron;t\u011bp&aacute;n Trochta, 1905&ndash;1974) e 27 poloneses. Vinte e cinco eram sacerdotes, dois irm&atilde;os coadjutores e cinco ainda em forma&ccedil;&atilde;o. Dez salesianos morreram no campo de concentra&ccedil;&atilde;o em decorr&ecirc;ncia dos maus-tratos; um foi libertado pouco antes da evacua&ccedil;&atilde;o do campo de concentra&ccedil;&atilde;o. Dezoito foram libertados pelo ex&eacute;rcito dos Estados Unidos em 29 de abril de 1945, profundamente debilitados, carregando as consequ&ecirc;ncias da pris&atilde;o pelo resto de suas vidas. Tr&ecirc;s foram transferidos temporariamente para o campo de Gusen, na Alta &Aacute;ustria, onde foram libertados em 5 de maio de 1945.<\/p>\n<p> Segundo pesquisas recentes, al&eacute;m da urna do rec&eacute;m-beatificado m&aacute;rtir, tamb&eacute;m est&atilde;o sepultados no Bosque Memorial I os restos mortais de outros tr&ecirc;s salesianos mortos em Dachau: P. Teodor Budnikowski (1897&ndash;1942), P. Karol Chrapla (1905&ndash;1942) e P. Jan P&ograve;dkul (1893&ndash;1942).<\/p>\n<p> Um &uacute;ltimo detalhe merece destaque: o P. Franciszek Mi\u015bka encontra-se sepultado n&atilde;o muito longe da sepultura da Comunidade Salesiana de Munique. No futuro, a comunidade recordar&aacute; de modo especial sua mem&oacute;ria e venera&ccedil;&atilde;o, invocando sua intercess&atilde;o, juntamente com os numerosos devotos presentes na terra natal do novo Beato M&aacute;rtir.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>P. Reinhard Gesing SDB<\/em><\/p>\n<p><strong><\/p>\n<div style=\"padding: 15px; margin: 20px 0; background: #fff3cd; color: #856404; border: 1px solid #ffeeba; border-radius: 5px; font-family: sans-serif; font-size: 14px;\">\n                    <strong>[Gallery Missing]<\/strong> Folder not found: <code>wp-content\/uploads\/images\/Germania - Memoriale don Miska 2026<\/code>\n                <\/div>\n<p><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(ANS &ndash; Munique) &ndash; Para a imensa maioria das v&iacute;timas da loucura nazista, n&atilde;o restaram vest&iacute;gios mortais. 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