Espanha – Prossegue em Barcelona a viagem do Papa Leão XIV

(ANS – Barcelona) – Após agradecer aos voluntários que acompanharam os três primeiros dias de sua Viagem Apostólica em Madri, na manhã de terça-feira, 9 de junho, o Santo Padre Leão XIV seguiu em breve voo a Barcelona, dando início à segunda etapa da Sua visita. A vigília de oração com 40 mil jovens no Estádio Olímpico Lluís Companys configurou-se como o momento central do Dia.

No encontro com os 17 mil voluntários que dedicaram seu tempo à organização da visita na capital espanhola, Madri, o Pontífice ouviu testemunhos marcados pela gratidão de quem contribuiu para o êxito da iniciativa. Entre eles, Mercedes, que sublinhou o apoio recebido da Igreja nos momentos mais difíceis e a partilha das alegrias nos tempos favoráveis; e Nuño, que sintetizou o sentido do voluntariado ao afirmar que, quando se oferece o melhor de si, isso “não se consome…, mas cresce!”.

A mesma perspectiva foi retomada pelo Arcebispo de Madri, o Cardeal José Cobo Cano, ao relembrar que o “amor escondido” de quem serve se torna a expressão concreta pela qual o Evangelho chega ao coração da Cidade: “A Igreja vive quando serve, quando se doa, quando o faz unida, caminhando pelo rumo da mesma direção missionária”.

Na sequência, o Papa embarcou no Aeroporto Internacional Adolfo Suárez, de Madri, rumo a Barcelona, Capital da Comunidade Autônoma da Catalunha. Durante o voo, foi convidado pela tripulação a visitar a cabine e a observar do alto a Basílica da Sagrada Família — cuja última e mais alta torre, dedicada a Jesus, será inaugurada pelo próprio Leão XIV, nesta viagem — , ocasião em que também fez referência bem-humorada à sua presença “trajado de branco” (cor do ‘Real Madrid’) numa cidade historicamente ligada ao time blau grana.

Ao chegar à cidade catalã, Leão XIV rezou a Hora Média na catedral local e, em sua homilia, comentou a Carta de São Paulo aos Coríntios, exortando a Igreja diocesana a viver como ‘membros harmoniosos’ do Corpo de Cristo. “Trabalhar juntos e doar-se sem reservas”, como “um único povo”, foi o apelo dirigido aos Fiéis.

“A Igreja nasce de um ato de amor que a precede e vem de Deus, e cresce acima de tudo ao deixar-se amar por Ele, unida, com coração humilde e agradecido, porque somente quem se deixa amar por Deus pode construir, com os outros, obras de amor”, afirmou o Pontífice. Em seguida, dirigiu uma exortação ampla: “Num mundo dilacerado por guerras e divisões; numa sociedade cada vez mais fragmentada e individualista: queremos ser ‘mártires’, isto é, testemunhas e profetas de unidade, de acolhida, de concórdia e de paz, mesmo à custa de sacrifícios e renúncias”.

Após a oração da Igreja universal, o Papa desceu à cripta da catedral e permaneceu por alguns minutos em recolhimento diante do túmulo de Santa Eulália, uma das santas mais veneradas da Espanha e de Barcelona.

No período da tarde, na residência arquiepiscopal de Barcelona, o Pontífice participou de um encontro de caráter mais íntimo, em clima de maior fraternidade, com um grupo de religiosos e religiosas da Família Agostiniana provenientes de diversas regiões da Espanha — entre eles também seus Coirmãos da Comunidade Internacional que atuam pastoralmente no desafiador bairro do Raval.

O Papa também cumpriu compromissos de caráter institucional, entre eles o encontro com o Presidente da Comunidade Autônoma da Catalunha, Salvador Illa i Roca, e com os 200 participantes do Encontro Mediterrâneo MED26, dedicado à construção da paz na região e realizado nestes dias em Barcelona. A eles, dirigiu palavras de reconhecimento e encorajamento, convidando a “viajar”, em sentido geográfico e espiritual, para chegar aos portos onde homens e mulheres aguardam a Boa-Nova.

À noite, ocorreu o momento mais aguardado: a Vigília de Oração com os JUovens. Após algumas apresentações, Leão XIV ouviu três testemunhos marcantes — sobre o vazio de uma vida sem horizonte espiritual, sobre a depressão, sobre a violência familiar — e respondeu a cada um com palavras de esperança. Observou que o mundo cria “anestésicos” para a consciência, mas a inquietação que surge não deve ser vista como um mal; ao contrário, pode conduzir ao encontro com Deus.

O Pontífice também chamou atenção para os riscos que ameaçam a saúde mental nas sociedades mais desenvolvidas e defendeu “um sistema de saúde que inclua entre suas prioridades esse mal-estar invisível e generalizado, que atinge também os jovens”. Ao mesmo tempo, incentivou a “confiar em Deus com perseverança”, recordando as palavras do Papa Francisco de que “com Deus, a vida sempre renasce”.

Por fim, diante do mistério do mal e da violência, que suscita a pergunta “-Onde está Deus?”, o Santo Padre propôs uma inversão de perspectiva: “Devemos perguntar ‘onde estava Deus?’ ou devemos interrogar-nos sobre o homem e a humanidade? (….) Se existe a violência, se o egoísmo prevalece, se até mesmo o amor familiar se transforma em ódio, precisamos examinar a nós mesmos, as dinâmicas da nossa Sociedade, a cultura do individualismo, a tentação da violência! E não: «Onde está Deus?»”.

Assim, com uma breve saudação também em catalão, gesto que alegrou os 40 mil presentes, Leão XIV confiou aos jovens uma mensagem de esperança, convidando-os a não considerar as quedas como definitivas, mas como “ oportunidades para retirar as máscaras de que nos utilizamos! ”.

Related News​

Scroll to Top
This site is registered on wpml.org as a development site. Switch to a production site key to remove this banner.