(ANS – Roma) – A Inteligência Artificial (IA) está ganhando cada vez mais destaque nos debates educativos, levantando questões, gerando expectativas e, em alguns casos, causando preocupação. Nesse contexto, a experiência das escolas salesianas italianas representa atualmente um dos mais importantes laboratórios de pesquisa e inovação pedagógica no país.
Os resultados do estudo, conduzido pelo Professor P. Michal Vojtáš, corroboram esse diagnóstico. Professor da Faculdade de Ciências da Educação, da Universidade Pontifícia Salesiana, ele esteve envolvido no primeiro projeto sistêmico italiano de uso da IA generativa, numa rede escolar de abrangência nacional.
A iniciativa – primeiramente desenvolvida nas escolas salesianas do Triveneto e posteriormente ampliada para toda a rede italiana – envolveu em apenas um ano mais de 1.600 docentes do ensino fundamental e médio, e da formação profissional. O estudo analisou 1.375 atividades didáticas efetivamente realizadas em sala de aula e recolheu o retorno de 29.171 estudantes, configurando uma das mais amplas investigações realizadas na Itália sobre a relação entre IA e Processos educativos.
Dados confirmam o valor pedagógico da inovação
Os resultados indicam que o uso consciente de ferramentas de IA pode aprimorar significativamente diferentes dimensões da experiência pedagógica.
De acordo com as avaliações feitas, as aulas que usam IA mostram uma melhora na clareza dos objetivos de aprendizado. Também melhoram a organização das atividades, o interesse dos alunos, a criatividade dos conteúdos e o desenvolvimento do pensamento crítico.
Particularmente relevantes são os avanços no engajamento discente e na criatividade: 86% dos docentes envolvidos afirmam a intenção de manter o uso contínuo de ferramentas de IA generativa, como suporte ao planejamento e à execução das atividades didáticas; e quase sete em cada dez professores reconhecem melhora na qualidade da própria elaboração pedagógica.
Entretanto, o estudo ressalta um ponto crucial: os benefícios mais relevantes ocorrem quando a IA não substitui o professor, mas é incorporada a métodos didáticos inovadores e personalizados, intensificando a ação educativa.
Modelo salesiano: tecnologia a serviço da pessoa
Se os resultados quantitativos já são expressivos, o diferencial da experiência salesiana está no enquadramento pedagógico que a sustenta.
A reflexão, desenvolvida pela Universidade Pontifícia Salesiana e pelas Escolas envolvidas, levou à formulação de um princípio que pode ser definido como “tecnologia no tempo”: A IA pode apoiar a aprendizagem, o planejamento didático e a personalização dos percursos formativos, mas não substitui a relação educativa.
No momento em que se inicia o tempo do encontro pessoal, do acompanhamento, da recreação, do diálogo e da construção de vínculos, a tecnologia cede lugar à presença educativa.
Trata-se de uma opção plenamente alinhada à tradição pedagógica salesiana, que reafirma a primazia da Pessoa humana sobre os instrumentos tecnológicos. Nessa perspectiva, a IA não é vista nem como ameaça nem como solução automática, mas como recurso a ser orientado por critérios educativos claros e compartilhados.
Reconhecimento internacional
O interesse despertado pela experiência italiana chamou a atenção do próprio Google for Education (Google para a Instrução/Educação).
Em fevereiro de 2026, uma delegação formada por 15 pesquisadores e engenheiros internacionais de Google for Education esteve em Veneza Mestre para dialogar com docentes das escolas salesianas e compreender como as ferramentas de IA estavam sendo aplicadas no cotidiano escolar. O encontro não teve caráter de apresentação tecnológica, mas de escuta ativa de uma experiência já em curso.
O percurso prosseguiu em 28 de maio, no Instituto Salesiano São Zeno, em Verona, com o evento “GO beyond traditional education”, que reuniu representantes internacionais da Google for Education e gestores do setor educacional. A ocasião permitiu compartilhar resultados e discutir perspectivas futuras de inovação pedagógica.
Uma pesquisa voltada para o futuro
Para a Universidade Pontifícia Salesiana (UPS), a experiência representa um exemplo concreto de como pesquisa acadêmica, inovação tecnológica e missão educativa podem dialogar de forma integrada.
O objetivo não é acompanhar passivamente as transformações tecnológicas, mas compreendê-las e orientá-las ao serviço da Pessoa e das Comunidades Educativas. A pesquisa demonstra que a IA pode contribuir para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem, desde que inserida numa visão antropológica clara, capaz de preservar o valor insubstituível do relacionamento educativo.
Num contexto em que a tecnologia tende a ocupar progressivamente todos os espaços da vida cotidiana, o modelo salesiano propõe uma abordagem inovadora e, ao mesmo tempo, profundamente humana: utilizar os recursos mais avançados sem abrir mão da centralidade do encontro, do diálogo, do acompanhamento educativo. É que a verdadeira inovação, antes de ser tecnológica, permanece essencialmente humana.
Fonte: Universidade Pontifícia Salesiana



