(ANS – Veneza) – «Como os jovens experimentam atualmente a transição da escola para o mercado de trabalho?». Essa pergunta orientou o estudo conduzido pelo Observatório Regional Mercado de Trabalho, vinculado ao ‘Veneto Lavoro’ (Vêneto: Trabalho), e executado pelo «Observatório IUSVE Jovens e Trabalho». Os resultados foram apresentados em 10 de abril de 2026, em Mestre, no âmbito do congresso “Jovens e trabalho: escolhas individuais ou resultado de equipe?”.
O estudo delineia um quadro complexo, evidenciando que a transição para o trabalho constitui um período delicado também do ponto de vista emocional. Nesse contexto, o trabalho articulado entre famílias, escolas, empresas, serviços públicos e instituições surge como caminho estratégico para acompanhar e apoiar os jovens nesse processo.
O congresso aprofundou o tema das transições ao trabalho entre jovens adultos, com base em dados de uma pesquisa conduzida com pessoas de 18 a 34 anos na região do Vêneto, realizada pelo Observatório IUSVE “Jovens e Futuro”. O estudo envolveu um universo representativo de mais de 900 jovens adultos, incluindo gestores, profissionais de Recursos Humanos, tutores, professores e Alunos, que contribuíram com entrevistas acerca de aspectos subjetivos da transição. Além disso, mais de trinta informantes qualificados ofereceram análises complementares por meio de entrevistas qualitativas. Por um lado, os dados apontam a consolidação de uma postura proativa dos jovens no mercado de trabalho; por outro, evidenciam limitações relevantes, como a questão salarial e as perspectivas de crescimento profissional.
Os dados
Entre os resultados apresentados, destacam-se alguns indicadores significativos: diante de um trabalho insatisfatório, quase metade dos entrevistados (47,5%) afirmou que “buscaria ativamente outra oportunidade, ainda que em meio a um período de instabilidade”. A “consciência das próprias capacidades” (28,4%) e as “competências específicas” (26,8%) aparecem como as principais áreas de desenvolvimento apontadas pelos jovens do Vêneto.
Ao mesmo tempo, esses dados não indicam uma postura individualista no ambiente de trabalho. As características mais valorizadas nas relações entre colegas são a “colaboração e o apoio mútuo” (67,5%) e a “comunicação aberta e honesta” (62,1%). Quase um em cada três entrevistados também menciona o “respeito pelas ideias de todos” (28,4%). Já aspectos como “competição voltada à melhoria” e “forte orientação a resultados” somam, juntos, menos de 10% das respostas. Para um jovem em seu primeiro emprego, 63,9% recomendariam “buscar um diálogo construtivo, ainda que aceitando a decisão final de colegas mais experientes ou superiores”.
A questão salarial no centro das preocupações
A remuneração aparece como principal fonte de preocupação, liderando com 65,0% das respostas entre os problemas mais citados.
De forma coerente, a ideia de trabalho ideal passa por um “trabalho agradável e interessante” (40,3%) e pela “possibilidade de carreira” (37,5%), mas sobretudo pela “estabilidade profissional” (51,1%) e pela importância de um “bom rendimento” (68,9%). O conjunto desses fatores — debatido no congresso e aprofundado na pesquisa — representa um desafio relevante para as políticas públicas dos próximos anos, que deverão enfrentar as fragilidades ainda presentes nas transições ao trabalho dos jovens adultos do Vêneto, com impactos tanto em sua condição individual quanto no tecido social mais amplo.
Metodologia
A pesquisa teve como público-alvo jovens entre 18 e 34 anos residentes no Vêneto. As entrevistas foram realizadas por meio da metodologia CAWI (Computer Assisted Web Interviewing). A coleta principal de dados ocorreu via painel on-line comercial, complementada por amostragem em redes sociais, com uso de anúncios direcionados no Facebook. O recorte amostral considerou previamente critérios de gênero, faixa etária e distribuição geográfica, sendo posteriormente ponderado conforme o nível de escolaridade. A coleta foi realizada em outubro de 2025 pelo instituto Demetra Opinioni.net, sob supervisão de Alice Cappello. A análise dos dados ficou a cargo de Beatrice Bartoli, com colaboração de Davide Girardi.
Declarações
Lucas Pavanetto, Vice-Presidente e Assessor ao Trabalho da Região do Vêneto, afirmou: “A pesquisa apresentada hoje tem um mérito particular: integra a análise dos dados do mercado de trabalho com a escuta direta dos jovens, recolhendo suas vozes e explorando as emoções e expectativas que acompanham a passagem da escola ao trabalho. Como Região, estamos convencidos de que acompanhar os jovens nessa fase é uma tarefa fundamental, pois eles são uma riqueza: o nosso presente e o nosso futuro”.
Davide Girardi, Pesquisador do Observatório IUSVE Jovens e Futuro, destacou: “A palavra-chave que emerge da análise dos dados e dos testemunhos é reconhecimento. Não se trata apenas de um aspecto econômico, mas também da capacidade dos contextos de trabalho de atribuir aos jovens o papel adequado. A construção de um percurso sólido rumo à vida adulta traz benefícios mais amplos para toda a Sociedade, e não apenas para os Jovens trabalhadores”.
Por fim, Tiziano Barone, Diretor da «Veneto Lavoro», destacou: “Hoje, os jovens que ingressam no mercado de trabalho precisam lidar com dinâmicas complexas. Nossa prioridade deve ser estruturar políticas centradas no acompanhamento, especialmente nessas fases delicadas de transição da escola ao trabalho. Não se trata apenas de aproximar oferta e demanda, mas de ativar as Pessoas num processo que envolve tanto a liberdade individual de investir no próprio futuro quanto a responsabilidade dos Agentes em criar as condições para que isso se realize”.



