RD Congo – Entrevista com o P. Guillermo Basañes, Inspetor da Inspetoria África Central

(ANS – Goma) – Durante sua visita canônica à obra salesiana ‘Don Bosco Ngangi’, em Goma, o P. Guillermo Basañes, Superior da Inspetoria Maria Santíssima Assunta, da África Central (AFC), já na etapa conclusiva de seu mandato inspetorial, concedeu uma entrevista à revista Jambo Vijana, publicação juvenil da Delegação São José, da África Centro-Leste.

– Ao final de seus seis anos à frente da Inspetoria AFC, como avalia este mandato?

– Na realidade, encontro-me atualmente com cinco anos e dois meses de mandato, o que significa que ainda disponho de uma parte significativa deste último ano para concluir a missão que me foi confiada.

A Congregação e eu contemplamos a Inspetoria AFC com profundo sentimento de gratidão. Trata-se de uma realidade que gosto de comparar a uma mãe madura e fecunda, prestes a dar à luz seu terceiro filho. Já gerou outras Inspetorias — África Grandes Lagos e África Congo-Congo — e continua a expandir-se, agora com a criação da Visitadoria África Congo-Leste.

O sentimento predominante, portanto, é de gratidão sincera por tudo o que Deus, por meio de Dom Bosco, continua a realizar nesta Inspetoria. De modo particular, agradeço pelo dom das vocações consagradas e pela vitalidade da Família Salesiana.

Essa vitalidade se manifesta também em sinais concretos de crescimento: a criação de novas Inspetorias, a presença salesiana recentemente estabelecida em Kalemie, a fundação da primeira universidade salesiana do continente africano — a Universidade Dom Bosco de Lubumbáshi — e o fortalecimento do Policlínico Afia Don Bosco, na mesma cidade, atualmente em processo de renovação. São indicadores claros de uma Inspetoria dinâmica e em constante desenvolvimento.

– Seu mandato transcorreu em um contexto por vezes complexo. Quais foram os principais desafios enfrentados?

– Quando o Reitor-Mor me enviou a esta Inspetoria, o principal desafio consistia na construção da fraternidade inspetorial e, sobretudo, na promoção da reconciliação. Era necessário recompor vínculos, restaurar relações e trabalhar intensamente pela unidade. Esse foi, de fato, o mandato central que recebi: favorecer a reconciliação no interior da Inspetoria.

Sem paz, harmonia e sinergia entre os apóstolos, toda a missão da Igreja se fragiliza. A primeira missão da Igreja é a unidade. O próprio Jesus rezou: “Que todos sejam um” (Jo 17). Sem essa unidade, a ação evangelizadora perde sua força. Este foi, portanto, o grande desafio que me foi confiado em 2021.

– Apesar dessas dificuldades, como foi possível preservar e fortalecer o espírito de Dom Bosco nas diversas comunidades salesianas?

Por meio de instrumentos simples e ordinários. Creio não ter introduzido novidades, pois o Espírito Santo já havia inspirado tudo a Dom Bosco. Um dos principais meios foi a realização das visitas inspetoriais. Ao longo desses anos, acompanhei 26 comunidades e cerca de 260 a 270 salesianos.

A Congregação me pedia, essencialmente, que realizasse bem essas visitas — e foi isso que procurei fazer com fidelidade. Busquei viver o espírito de Dom Bosco no cotidiano, fazendo aquilo que me foi confiado.

– A criação da Visitadoria ACE representa um momento decisivo. Como o senhor interpreta esse acontecimento para o futuro da missão salesiana no leste do Congo?

– A primeira leitura que faço é que Deus, por meio de sua Igreja, não abandona o seu povo. Esse é o dado mais eloquente, sobretudo porque, do ponto de vista humano, não seria o momento de iniciar uma nova presença numa região como o Kivu Norte, de onde muitas organizações estão se retirando. Entretanto, Deus age de modo diferente: estabelece-se precisamente onde outros partem. A criação dessa nova circunscrição, num contexto historicamente difícil, constitui, portanto, um sinal claro da fidelidade de Deus ao seu Povo.

Além disso, revela que ainda há uma vasta missão salesiana a ser realizada na região. A nova Visitadoria não nasce apenas para consolidar o que já existe, mas para tornar-se uma autêntica plataforma missionária. Hoje, a presença salesiana no leste do Congo concentra-se em três grandes cidades — Bukavu, Goma, Uvira — , mas muitas outras localidades ainda aguardam presença e ação pastoral: Beni, Butembo, Isangi, Kisangani, Kindu… O horizonte de expansão é, portanto, amplo e promissor.

Não é necessário aguardar a existência de 15 comunidades para instituir uma circunscrição. Pensando no meu sucessor, poderia dizer, com certa leveza: “Você não terá quase nada a fazer!”. Atualmente, sou Superior de uma Inspetoria com 26 comunidades e quase 300 coirmãos, enquanto ele assumirá uma realidade mais enxuta, com cerca de 8 comunidades e 40 a 50 coirmãos. À primeira vista, isso poderia sugerir menor exigência.

Na prática, ocorre o contrário. Trata-se de uma decisão estratégica do Reitor-Mor: estruturar uma realidade mais ágil, capaz de funcionar como ponto de partida, uma base missionária orientada à expansão progressiva. Assim, longe de representar uma redução, essa nova configuração constitui uma oportunidade concreta de lançar as bases de uma Visitadoria em crescimento, voltada ao futuro da missão salesiana.

– Quais esperanças o senhor deposita nessa nova realidade eclesial e educativa que se desenvolve no leste do país?

– A primeira esperança é de caráter espiritual. A grande esperança salesiana continuam sendo os jovens, especialmente os mais pobres e vulneráveis. Onde há jovens em situação de fragilidade, há também um campo fecundo para a missão salesiana. Há, igualmente, uma esperança vocacional consistente: o número de vocações na região é significativo e encorajador. Soma-se a isso uma perspectiva de desenvolvimento econômico, sobretudo nos setores agrícola e zootécnico, que pode contribuir para a sustentabilidade das presenças.

– Qual é o papel dos leigos no fortalecimento da missão educativa e pastoral na nova Inspetoria?
A Congregação enfatiza cada vez mais o protagonismo dos leigos na missão salesiana. Eles são chamados a assumir esse papel com identidade clara: conhecer a missão, assimilar a espiritualidade de Dom Bosco, viver sua pedagogia e atuar com criatividade, autonomia e liberdade.

Os leigos não devem se perceber como meros colaboradores subordinados aos sacerdotes. Ao contrário, são chamados a ser sujeitos ativos, capazes de iniciar obras, atividades e serviços em favor dos jovens, inclusive em contextos onde os salesianos ainda não estão presentes.

– Que mensagem o senhor gostaria de deixar para toda a FS da AFC, especialmente para os jovens?
– Minha mensagem final, dirigida aos jovens, aos leigos e a toda a FS, é simples, direta e profundamente evangélica: sede santos, permanecei santos!

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