El Salvador – Empenho salesiano internacional fortalece a formação profissional de mulheres

(ANS – San Salvador) – A ação dos Salesianos em El Salvador ganhou novo impulso com o apoio de financiamentos internacionais voltados à qualificação técnica e profissional de jovens mulheres entre 16-35 anos. A iniciativa contou, entre outros parceiros, com ‘Salesian Missions’, que é uma ‘Procuradoria Missionária Salesiana’ sediada em New Rochelle-NY, nos Estados Unidos. Inserido no programa Skilling El Salvador 2022–2026, o projeto ‘Educação como motor para a integração de jovens em situação de vulnerabilidade’ foi desenvolvido em seis instituições salesianas e contou ainda com suporte técnico e financeiro da ONG belga «VIA Don Bosco» e da Direção-Geral de Cooperação para o Desenvolvimento do Governo da Bélgica.

O projeto, que durou quatro anos, visou melhorar a qualidade da oferta educacional, expandindo e diversificando os cursos. Foram oferecidos 12 cursos de curta duração e quatro cursos mais longos, com foco na inclusão de mulheres em campos técnicos, os quais geralmente são pouco acessíveis ao público feminino.

Paralelamente, as instituições participantes promoveram a revisão de políticas internas nas áreas de gênero, sustentabilidade ambiental, gestão de pessoas, mitigação de riscos. Também foram registradas melhorias concretas na redução do impacto ambiental das atividades, incluindo iniciativas de reflorestamento e aprimoramento na gestão de resíduos.

Outro eixo estratégico foi o fortalecimento da inserção profissional das participantes. Nesse sentido, os Escritórios de Intermediação Laboral desempenharam papel decisivo ao acompanhar as formandas na transição para o mercado de trabalho, resultando na formalização de 166 parcerias com empresas locais. Em 2025, um marco importante foi a realização da primeira edição do Congresso Salesiano sobre Empregabilidade, que reuniu representantes dos setores empresarial, educacional e social para debater os desafios contemporâneos do mundo do trabalho.

As beneficiárias do projeto são, em sua maioria, jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica, provenientes de regiões com acesso limitado à formação técnica de qualidade e altos índices de desemprego. Muitas vivem abaixo da linha da pobreza e estavam expostas a riscos como a migração irregular ou o recrutamento por grupos criminosos. A esse cenário somam-se obstáculos adicionais, como responsabilidades domésticas, lacunas formativas e baixa inserção no mercado formal.

Os resultados alcançados graças ao projeto evidenciam o impacto da iniciativa: ao longo dos quatro anos, 1.169 mulheres se inscreveram nos cursos e 974 concluíram a formação, superando as metas previstas pelas seis instituições envolvidas.

Entre as histórias que traduzem esse impacto está a de Josseline Beatriz García de Aguilar, de Chalchuapa. Sua trajetória é marcada pela luta diária entre o cuidado com a família e as limitações impostas pela escassez de recursos. Num contexto em que os papéis tradicionais restringem frequentemente as oportunidades das mulheres, ela vivia em situação de extrema vulnerabilidade.

“Lembro-me de um dia que mudou minha vida: não tinha dinheiro nem para comprar leite para o meu filho. Esse sentimento de impotência só entende quem já passou por ele”, relata.

Sua principal motivação para adquirir competências profissionais era, portanto, justamente a sobrevivência e a dignidade de seu filho. Inicialmente, seu objetivo era simplesmente mudar sua realidade imediata, mas logo evoluiu para um desejo de independência profissional e domínio de um ofício. García de Aguilar observou: “Decidi me inscrever com o coração cheio de dúvidas, mas com as mãos prontas para trabalhar. Saber que eu tinha esse apoio fez com que valorizasse cada momento da formação. Foi o incentivo de que eu precisava”, afirma.

A iniciativa contribuiu diretamente para reduzir sua vulnerabilidade econômica, oferecendo formação e materiais gratuitos, além de desenvolver competências transversais que permitiram a transição do trabalho informal para o empreendedorismo. “Os cursos não apenas me ensinaram uma profissão: devolveram minha dignidade. Hoje temos duas barracas no mercado municipal de Chalchuapa, fazemos entregas a domicílio e contamos com três colaboradores” – acrescenta.

De olho no futuro, García de Aguilar pretende expandir sua microempresa, investindo também na divulgação por meio das redes sociais.

De acordo com o Banco Mundial, cerca de 22% da população de El Salvador vive em situação de pobreza. Além dos desafios financeiros, os jovens se deparam com um contexto caracterizado pela instabilidade, violência e acesso restrito a oportunidades de formação. Embora alguns indicadores tenham melhorado, a qualificação profissional continua sendo uma prioridade: 12% dos jovens de 15 a 24 anos estão sem emprego, enquanto 41% estão em condição de subemprego.

Fonte: Mission Newswire

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