Itália – Dom Bosco entre a pesquisa histórica e a cultura visual: nova mostra promove diálogo entre tradição salesiana, academia e linguagens visuais

(ANS – Roma) – A exposição “Dom Bosco: das biografias aos quadrinhos” foi inaugurada na Universidade Pontifícia Salesiana com um dia de estudos e discussão, que buscou colocar a figura de Dom Bosco em um contexto mais abrangente de reflexão histórica, cultural e comunicativa. A iniciativa se configurou como um espaço de diálogo entre a pesquisa salesiana e o debate acadêmico atual, integrando o estudo das fontes históricas com a análise das linguagens que narraram e perpetuaram a santidade ao longo dos anos.

A programação incluiu uma saudação inicial do reitor da Universidade, P. Andrea Bozzolo, e a abertura oficial conduzida pelo reitor-mor dos Salesianos, P. Fabio Attard, que agradeceu aos promotores da iniciativa – o Centro de Estudos Dom Bosco, em colaboração com a Faculdade de Ciências da Comunicação Social – e enfatizou a importância do tema, considerando-o essencial tanto para o ambiente acadêmico quanto para a formação e educação. Relembrar as origens da história do carisma salesiano, enfatizou, é fundamental para renovar sua mensagem sem perder sua autenticidade. Nesse processo, a universidade exerce um papel decisivo, por conseguir unir fidelidade à tradição e criatividade interpretativa, rigor científico e diálogo com as linguagens do presente.

Em seguida, foram apresentados os trabalhos da professora Lina Scalisi, Vice-Reitora da Universidade de Catânia, e do professor Roberto Alessandrini, docente da Universidade Pontifícia Salesiana. Scalisi abordou o tema “O relato da virtude: biografia e santidade na história moderna”, situando o gênero biográfico em um contexto histórico e cultural mais amplo, que ultrapassa o caso específico de Dom Bosco e se insere no debate historiográfico sobre a construção dos modelos de santidade na Idade Moderna. Alessandrini, na sua apresentação chamada “O santo educador: Dom Bosco no imaginário popular”, explica como a imagem do fundador dos salesianos foi transformada nas formas de comunicação de massa. Ele fala especialmente sobre os quadrinhos que contam a vida dele. Alessandrini destaca como essas histórias usam elementos que estão ligados à cultura popular de hoje. A escolha de palestrantes externos ao círculo mais restrito dos estudos salesianos ampliou o olhar sobre o tema e favoreceu um diálogo produtivo entre a tradição salesiana e as abordagens da pesquisa histórica, antropológica e comunicacional atual.

A cerimônia de abertura da exposição foi conduzida pelo diretor do Centro de Estudos Dom Bosco, P. Michal Vojtáš, que incitou os presentes a apreciar o equilíbrio visual e conceitual do percurso expositivo. A exposição exibe trabalhos científicos de excelente qualidade, aliados a biografias compreensíveis e recursos de divulgação, criando um diálogo visual e narrativo envolvente. Além das biografias históricas documentadas em preto e branco, como as dos padres Pietro Stella, Francis Desramaut e Pietro Braido, há também as narrativas coloridas e aquareladas voltadas para o público jovem: desde as biografias ilustradas da década de 1930, de autores como Giovanni Cassano, Giovan Battista Calvi e Augusto Piccioni, até os famosos quadrinhos de Jijé dos anos 1940, culminando no mais recente mangá japonês.

As visitas guiadas, conduzidas por integrantes do Centro de Estudos Dom Bosco, permitiram aos participantes conhecer a impressionante riqueza do acervo exposto, que reúne mais de 600 títulos dedicados à vida de Dom Bosco. Entre as obras de maior destaque estão as primeiras biografias de D’Espiney, Du Boys e Biginelli, o vasto projeto das Memórias Biográficas organizado por Lemoyne, Amadei e Ceria, além de publicações ligadas ao período da beatificação e canonização, como a célebre biografia de Johannes Jørgensen – escrita originalmente em dinamarquês e traduzida para diversos idiomas – e a obra amplamente documentada de dom Carlo Salotti, de 1929. No cenário atual, ganha relevo Dom Bosco: uma nova biografia, de Teresio Bosco, escrita em estilo jornalístico e narrativo, traduzida para pelo menos 21 línguas e referência para as últimas gerações da Família Salesiana.

Além de seu valor documental, a mostra se destaca por escolhas expositivas que enriquecem a experiência do público. Os painéis bilíngues, em italiano e inglês, e as audioguias disponíveis em quatro idiomas – italiano, inglês, francês e espanhol – tornam o percurso acessível a visitantes de diferentes países. Um dos espaços mais apreciados é o “cantinho da leitura” ao final do trajeto, criado para permitir momentos de pausa, leitura de trechos selecionados das biografias e troca de impressões e reflexões.

A iniciativa é resultado de um trabalho coletivo que envolveu, além dos organizadores, diversos serviços e instituições da Universidade e da realidade salesiana, como as Bibliotecas Dom Bosco e do Instituto Histórico Salesiano, as editoras LAS e LDC e várias equipes técnicas que contribuíram para a realização de um projeto comum.

Fonte: unisal.it

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