(ANS – Roma) – A solene Concelebração Eucarística, presidida na manhã desta quarta-feira pelo Reitor-Mor, P. Fábio Attard, na Capela da Comunidade Salesiana, abriu a Festa de Gratidão dedicada a ele pela Comunidade da Sede Central e pelas Obras salesianas de Roma.
No dia da Natividade de São João Batista, data que desde os tempos do Oratório de Valdocco coincide com o onomástico de São João Bosco, a Comunidade salesiana reuniu-se em torno do Sucessor de Dom Bosco em clima de intensa familiaridade e fraternidade. A celebração, simples no estilo, mas solene na participação, marcou toda o dia sob o sinal da gratidão e da comunhão.
Junto com P. Attard, foram lembrados e celebrados também alguns Coirmãos da Sede Central e das Comunidades diretamente confiadas ao Reitor-Mor, por ocasião de aniversários significativos de Profissão religiosa ou de Ordenação sacerdotal, expressão concreta de uma gratidão que se estende à fidelidade vocacional vivida ao longo do tempo.
“A mão do Senhor estava com ele”
Na homilia, o Reitor-Mor ofereceu uma chave espiritual para compreender a figura de São João Batista e, em paralelo, o caminho de Dom Bosco e da Congregação.
A partir do Evangelho de Lucas – “A mão do Senhor estava com ele… O menino crescia e se fortalecia no espírito. E viveu no deserto até o dia de sua manifestação a Israel” (Lc 1,66.80) – , o P. Attard destacou que toda vocação nasce da iniciativa de Deus.
“A mão do Senhor precede, acompanha e envia”, afirmou.
A missão não nasce de projetos humanos nem de capacidades individuais, mas de um chamado que vem de Deus. Assim ocorreu com o Batista e com Dom Bosco: suas identidades mais profundas brotam de uma escolha divina que os precedeu e sustentou também nas provações.
Crescer no tempo: a graça de unidade
O Reitor-Mor retomou ainda o processo de crescimento humano e espiritual descrito por São Lucas: um crescimento no corpo e no espírito, na natureza e na graça. A santidade – recordou – não é ruptura com o tempo, mas amadurecimento dentro dele.
Quanto a Dom Bosco, o artigo 21 das Constituições Salesianas, sublinhou a “graça de unidade”, isto é, a integração entre maturidade humana e vida espiritual que torna fecunda a missão. Sem uma base humana sólida – marcada por humildade, escuta, silêncio, paciência – o carisma perde enraizamento, consistência.
O deserto como condição de fecundidade
Um dos pontos centrais da homilia foi o tema do deserto, compreendido não como espaço geográfico, mas como experiência espiritual de essencialidade, purificação, escuta de Deus.
“Que lição para nós hoje!” – afirmou – . “Quantos projetos pastorais não avançam porque não se respeita o tempo do deserto! Quantos coirmãos perdem profundidade quando o silêncio é substituído pelo ativismo; e a interioridade pela lógica da produtividade!…”.
O deserto do Batista e as provações de Dom Bosco tornam-se, assim, um apelo atual à vida salesiana: valorizar a interioridade, aprender a permanecer na espera sem desânimo, e reconhecer que é no escondimento que a missão amadurece.
“Da qualidade do silêncio, que precede a palavra, depende a consistência da palavra anunciada ”, concluiu.
Somente uma voz formada na escuta é capaz de gerar fecundidade.
Mensagem para toda a Congregação
A Concelebração Eucarística definiu o tom do dia festivo: mais do que uma homenagem ao Sucessor de Dom Bosco, um gesto de entrega da missão salesiana à condução da “mão do Senhor”.
No clima de oração e fraternidade vivido pela manhã, emergiu uma convicção central: a vida salesiana encontra sua força quando a missão é preparada no silêncio da união com Deus, pois é nesse espaço que ela amadurece para se tornar fecunda entre os jovens.
A festa prosseguiu no período da tarde com momentos de homenagem, uma sessão acadêmica no teatro da obra e a oração de Vésperas. Mas foi na Eucaristia da manhã que a Comunidade encontrou sua origem e orientação: gratidão, comunhão, renovada fidelidade à missão.
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